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BRASÍLIA - Apesar de se dizer frustrado com o desenrolar do caso Sarney, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) anunciou oficialmente nesta sexta-feira que continua líder do partido, ao contrário do que tinha declarado ontem. Mercadante disse que muitas lideranças da base e da oposição, além da ministra Dilma Rousseff e do ex-ministro Antonio Palocci, o presidente do partido, Ricardo Berzoini, pediram para que ficasse na liderança. Além disso, Mercadante manteve uma reunião de cinco horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de quinta-feira, quando foi demovido da ideia de se afastar do cargo. - Disse ao presidente Lula que tenho orgulho de tudo que fizemos, mas eu acho que temos cometido erros políticos - afirmou. Mercadante leu em seguida uma carta de Lula enviada esta manhã, onde o presidente pede mais uma vez para ele ficar na liderança.
Pela manhã, o senador João Pedro (PT-AM) já anunciava que Mercadante continuaria no comando da bancada. - O senador Mercadante entrou em contato comigo hoje de manhã e disse que permanecerá no cargo. Ele deve fazer o anúncio em plenário - disse João Pedro, no Twitter.
Mercadante tinha tomado a decisão de entregar a liderança do PT após ser desautorizado pelo partido na votação do Conselho de Ética, em que foram rejeitados os recursos contra o arquivamento das 11 denúncias e representações apresentadas contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Na manhã de ontem, Mercadante informou, por meio do site de microblogs Twitter, que faria um pronunciamento à tarde para anunciar a saída da liderança do PT no Senado. - Eu subo hoje (ontem) à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável - disse no Twitter. Mais tarde, ainda por meio do site, o parlamentar afirmou ter recebido um telefonema do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, dizendo que Lula queria conversar pessoalmente com ele antes do anúncio de sua decisão.
Como o presidente se encontrava no Rio Grande do Norte, e só chegaria em Brasília no fim da tarde, o senador adiou seu discurso. Mercadante justificou o adiamento do discurso porque deve o encontro ao presidente, "pelos anos de militância em comum".
Na quarta-feira, Mercadante havia dito, após os arquivamentos dos recursos contra José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética, que a crise na Casa contaminou seu partido. O senador petista foi contra a orientação do partido e defendeu a investigação das ações contra Sarney, o que levou a insatisfação de parte da bancada e do presidente do partido, Ricardo Berzoini, com o parlamentar.
- Ao contrário dos que estão deixando o partido, saio da liderança para disputar, junto à militância, a concepção do PT que eu acredito - complementou o parlamentar, mais cedo, no microblog.
Os senadores do Conselho de Ética engavetaram, nesta quarta-feira, por nove votos a seis, os 11 recursos contra o presidente do Senado. As 11 acusações haviam sido arquivadas sumariamente pelo presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), aliado de Sarney. Ele alegou que todas as denúncias são baseadas em notícias de jornais e nenhum documento foi anexado para embasar a acusação. A oposição recorreu dos 11 arquivamentos e, por isso, eles foram a votação nesta quarta-feira, sendo vetados definitivamente.
Desde que assumiu o comando do Senado, José Sarney é acusado de cometer uma série de irregularidades, que incluem responsabilidade na edição dos chamados atos secretos, desvio de recursos de um patrocínio feito pela Petrobras à fundação que leva seu nome, além da prática de tráfico de influência em favor do namorado de uma neta sua. O PSDB e o Psol ajuizaram, ao todo, cinco representações contra o peemedebista. Outras seis denúncias foram protocoladas pelos senadores Arthur Virgílio e Cristovam Buarque (PDT-DF).