Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu nesta quinta-feira para apagar o incêndio que se instalou no PT do Senado após a contribuição decisiva do partido para a absolvição do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética, e o anúncio das saídas dos senadores Flávio Arns (PR) e Marina Silva (AC) das fileiras do partido. Em defesa da legenda petista, Lula negou que exista crise no PT e afirmou que o partido continua forte e com muitas possibilidades .
Apesar da avaliação de Lula, o líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante (SP), chegou a anunciar nesta quinta que renunciaria à liderança do PT e que o desligamento seria oficializado por meio de discurso na tribuna do Senado marcado para a tarde desta quinta-feira. No entanto, após ser chamado por Lula para uma conversa que seria realizada nesta quinta a noite, Mercadante adiou o possível anúncio para esta sexta-feira.
O líder alegou, nas conversas com os senadores do partido, que não concorda com a postura da direção nacional da legenda, que orientou a bancada do partido no Senado a votar pelo arquivamento dos 11 processos contra Sarney. Interlocutores do senador garantem que a decisão do petista de deixar o cargo é irrevogável, mesmo diante dos prováveis apelos que o presidente Lula deverá fazer para que ele permaneça na liderança. Estou aguardando a chegada dele (Lula), que está em viagem. Devo isso a ele, pela nossa história em comum e meu compromisso com o governo , disse Mercadante no Twitter.
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), criticou nesta quinta-feira a decisão de Mercadante. Berzoini conversou com o líder petista por telefone nesta quinta-feira e disse ao senador que seria um erro deixar a legenda neste momento . Questionado se havia feito um apelo para o petista permanecer na liderança, porém, Berzoini foi evasivo.
Eu disse que acho um erro ele sair, o que é diferente de pedir para ele ficar respondeu.
Lula também criticou nesta quinta-feira duramente o comportamento da oposição durante a crise do Senado.
Uma oposição quando não tem argumento para fazer oposição, é pior do que doença que não tem cura. Porque eles ficam inventando qualquer coisa, e vale qualquer coisa para fazer ataque às pessoas disparou o presidente, que foi mais moderado em suas críticas ao senador Flávio Arns, embora não tenha deixado de cutucar o senador. O Flávio Arns é um senador de primeiro mandato, é um companheiro que tem seus valores, mas sempre foi muito encrencado com o PT.
Arns anunciou que irá deixar o PT por entender que a legenda abandonou suas bandeiras da ética e da transparência ao se posicionar favorável ao arquivamento das denúncias contra Sarney. As críticas mais duras contra o senador petista partiram do ex-ministro José Dirrceu, que em seu blog na internet acusou Arns de ter um comportamento patético . Dirceu questionou o fato de Arns não ter dito que se envergonhava do arquivamento das denúncias contra o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).
O senador paranaense rebateu nesta quinta mesmo as críticas de Dirceu. O senador disse que o ex-ministro da Casa Civil mantém como referências em sua vida política a falta de critério ético e transparência e por isso dispara críticas despropositadas .
O ex-ministro está em descompasso com o que pensa a sociedade. Senadores do PT estão solidários comigo. A militância do PT acha isso. O que a cúpula do partido pensa não é o que nós pensamos ressaltou.
Rebelião
Além de tentar manter sólida a bancada petista no Senado, o governo também teve, nesta quinta-feira, que trabalhar para não perder o controle de aliados na Câmara. Na tentativa de conter a rebelião dos partidos da base na Casa, o governo deve autorizar a liberação de emendas do Orçamento de 2009 na próxima semana. Lula da Silva discutiu o assunto nesta quinta-feira com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e pediu a elaboração de um cronograma para o pagamento de emendas individuais, que somam R$ 6 bilhões. O ministro garantiu que o governo está empenhado em resolver a questão.
Tenho recebido ligações dos líderes, mas estamos empenhados para cumprir com o que os deputados têm de direito disse Múcio. A insatisfação dos governistas principalmente entre parlamentares do PMDB, PR e PP é clara e tem refletido nas votações. Desde que voltou do recesso, os parlamentares votaram apenas uma medida provisória, um projeto de lei, um projeto de resolução e sete acordos internacionais. (Com agências)