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Delcídio diz que governo assume ônus de votos pró-Sarney

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Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O senador Delcídio Amaral (PT-MS), um dos nove votos no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar em favor do arquivamento de questionamentos contra José Sarney (PMDB-AP), afirmou que faz parte das funções da base governista "assumir ônus e bônus" por decisões que toma. "Ser governo significa assumir ônus e bônus. Desta vez foi ônus", disse o parlamentar após a confirmação do resultado que engavetou, por nove votos a seis, todos os 11 processos contra o presidente do Senado.

"Embora meu voto não alterasse o resultado, não costumo assumir discurso fácil", disse Delcídio ainda durante reunião do colegiado, por meio de sua página no site Twitter.

Desde esta terça-feira cresceu a instabilidade dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), apontado como "fiel da balança" nos processos contra José Sarney, suspeito de uma série de irregularidades que incluem responsabilidade na edição dos chamados atos secretos, desvio de recursos de um patrocínio feito pela Petrobras à fundação que leva seu nome, além da prática de tráfico de influência em favor do namorado de uma neta sua. O líder da legenda, Aloizio Mercadante, chegou a colocar o cargo à disposição por não aceitar substituir os representantes do partido no Conselho de Ética por parlamentares pró-Sarney.

Mais cedo, o presidente petista, Ricardo Berzoini, divulgou nota enquadrando a bancada e atribuindo as denúncias contra Sarney à "disputa política relacionada às eleições de 2010".

"Por entender que essa crise tem raízes reais, mas é manipulada de forma hipócrita para interesses eleitorais, e por defender a estabilidade política e o estado democrático de Direito, como bases para um funcionamento pleno da democracia, não há como reconhecer no Conselho de Ética, com os ânimos da radicalização política atual, condições para encaminhar uma investigação isenta e equilibrada. Nesse sentido, oriento os senadores do PT que fazem parte do Conselho de Ética que votem pela manutenção do arquivamento das representações", defendeu o dirigente petista.