Jornal do Brasil
SOROCABA - A Polícia Civil de Sorocaba (SP) prendeu no sábado o secretário de Administração da cidade, Januário Renna, flagrado com três adolescentes duas de 14 anos e uma de 15 anos em um motel na cidade de Itu (101 Km de São Paulo). Perplexo com a notícia, o prefeito de Sorocaba, Vitor Lippi (PSDB-SP), exonerou o secretário na mesma noite. O ato será assinado nesta segunda-feira com a data da prisão. Renna será processado por corrupção de menores com pena prevista de quatro a 10 anos de prisão. Também será investigado se Renna pertence a alguma rede de aliciamento de menores.
O secretário foi preso depois que o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) recebeu uma denúncia anônima sobre a entrada de um homem com três adolescentes no motel. Ele era alvo de investigação há 15 dias. Depois de passar a noite de sábado no Deic, em São Paulo, o ex-secretário foi transferido para o Centro de Detenção Provisória da cidade. Segundo a assessoria de imprensa do Deic, uma das meninas já havia sido aliciada outras quatro vezes, a outra duas e a terceira por cinco vezes. Elas recebiam R$ 100 por programa.
Engenheiro especializado em administração, Renna, 63 anos, ocupava a Secretaria de Administração desde 2005. Ele também é professor na Escola Superior de Administração e Marketing e Comunicação.
Escândalos políticos
Desde que foi instalada no ano passado no Senado Federal, a Comissão Parlamentar de Inquérito investigou várias denúncias de exploração sexual de menores envolvendo políticos. No mês passado, o ex- prefeito de Coari (AM) Manoel Adail Amaral Pinheiro, e a ex-secretária de Ação Social do município, Maria Landia Rodrigues dos Santos negaram na CPI da Pedofilia envolvimento com práticas de pedofilia. Os dois são investigados por participação em uma rede criminosa no Amazonas que explora sexualmente crianças e adolescentes.
Adail é suspeito de ter praticado relações sexuais com uma modelo menor de idade contratada para evento festivo patrocinado pela Prefeitura de Coari quando ele ainda era prefeito. Ele teria assediado a jovem durante viagem de barco entre Tefé e Coari. O ex-prefeito disse que a denúncia foi fabricada politicamente em uma ação para prejudicá-lo.
No último dia 5, a CPI ouviu o depoimento do prefeito do município de Sebastião de Barros (PI), Geraldo Eustáquio Machado, acusado de ter abusado sexualmente de três crianças. Uma das crianças supostamente abusadas sofre de câncer e é filha do presidente da Câmara Municipal de Correntina, Raimundo Augusto da Silva Vieira, um dos autores da denúncia. O prefeito negou todas sa acusações.
O presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), lamentou na semana passada que a crise do Senado tenha impedido uma maior divulgação da sanção presidencial à Lei nº 12.015, que pune com mais rigor os crimes de exploração sexual de menores e pedofilia. Pela lei, a pena para qualquer crime sexual que resultar em gravidez é aumentada em 50%. A pena para o estupro contra maiores de 14 anos e menores de 18 passou de seis a dez anos para de oito a 12 anos de reclusão. (Com agências)