Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), voltou a reagir nesta sexta-feira às declarações do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que o acusa de chantagear o partido e recomendou que o tucano procure um médico psiquiatra. Segundo Renan, o caso de Virgílio é menos de política e mais caso de psiquiatria .
O líder peemedebista garantiu que não usou tom de ameaça nas conversas telefônicas que teve com Virgílio ou com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e ainda ironizou o líder tucano.
Quem seria louco de ameaçar um cara valente como o Arthur (Virgílio) indagou. A conversa foi civilizada. O próprio Sérgio (Guerra) admitiu que foi em tom civilizado. Eu falei que se o partido assumisse as insanidades do Arthur (Virgílio), o PMDB não teria outra alternativa a não ser entrar com representação.
Renan também negou que a acusação contra o senador tucano seja parte de uma estratégia de seu partido para desviar o foco das atenções das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Na manhã desta sexta-feira, Virgílio afirmou que vai reavaliar se deve mesmo denunciar Renan no Conselho de Ética do Senado, pois tem receio de que o embate entre eles possa desviar a atenção da crise que envolve Sarney.
Não tem nada de estratégia. Ele é réu confesso. Reconheceu em plenário justificou Renan. O PMDB vai apresentar a representação contra Virgílio na semana que vem ao conselho. O partido acusa o senador de ter recorrido a um empréstimo de US$ 10 mil do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia quando o senador teve problemas com o cartão de crédito numa viagem particular a Paris, em 2003. Além disso, Virgílio é suspeito de receber R$ 723 mil do Senado pelo tratamento de saúde da mãe dele, quando o regimento permite gasto anual de R$ 30 mil.
Renan também foi acusado no colegiado. O PSOL apresentou uma representação contra o senador, responsabilizando-o pela edição dos atos secretos decisões administrativas mantidas em sigilo nos últimos 14 anos. Por enquanto, na volta do recesso parlamentar na próxima semana, o Conselho de Ética já tem 12 reclamações para avaliar. São 11 acusações contra o presidente da Casa e uma contra Renan.
Sarney é alvo de cinco representações por quebra de decoro parlamentar três apresentadas pelo PSDB e duas pelo PSOL e seis denúncias quatro protocoladas por Virgílio e outras duas dele com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Sarney é acusado de tráfico de influência e nepotismo.
Virgílio, por sua vez, confirmou nesta sexta que pode recuar da decisão de apresentar denúncia contra Renan afim de evitar que o foco das denúncias se afaste de Sarney. O motivo da denúncia de Virgílio seria a ameaça de Renan de retaliar o PSDB pelas três representações do partido contra Sarney e as seis denúncias assinadas pelo líder tucano.
Eu, pessoalmente, tenho muita vontade de entrar com uma denúncia, mas vou avaliar esse risco de desviar o foco da crise que envolve Sarney explicou Virgílio.
O líder do PMDB conversou por telefone com Virgílio e, segundo o tucano, seu tom foi de ameaça. Renan também já havia ligado para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, para pedir que o partido evitasse uma radicalização contra Sarney.
O PSDB ignorou o apelo do peemedebista e apresentou as denúncias. O líder tucano chegou a encomendar à assessoria jurídica da liderança do PSDB que avalie a possibilidade de entrar com uma representação contra Renan por quebra de decoro parlamentar por ele ter chantageado o partido.
Ele quis dizer mais ou menos assim. Não se mete com a minha máfia, que eu não mexo com você disse Virgílio em referência à conversa que teve com o peemedebista. (Com agências)