Isabela Vieira , JB Online
RIO DE JANEIRO - O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta quinta-feira que o indiciamento pela Polícia Federal do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é um trabalho normal, desvinculado da crise política.
- É um trabalho ordinário. O inquérito começou com informações do Ministério da Fazenda, controlado pelo Ministério Público - declarou o ministro, depois de participar do lançamento de um programa de saúde para policiais, no Rio de Janeiro.
- [O indiciamento] não quer dizer que ele seja culpado [filho do Sarney], quer dizer que irá responder um processo. Isso é normal em um Estado Democrático - completou o ministro - É um processo antigo, não tem nada a ver com a crise.
O filho do presidente do Senado foi indiciado na noite de quarta-feira por formação de quadrilha, criação de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. As penas podem chegar a 22 anos de prisão.
Tarso Genro também voltou a defender a reforma política como forma de evitar as crises no Senado, que, desde o começo do ano, é alvo de diversos tipos de denúncias.
- Se tivéssemos feito a reforma política, há tempos, essas questões seriam administrativas, eventualmente policiais, mas não questões políticas - avaliou.
Perguntado sobre as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ontem classificou os senadores de bons pizzaiolos , Genro minimizou a importância da frase e disse que Lula busca sempre a conciliação política da Casa.
- A expressão que o presidente usou, inclusive, não desconstitui a imagem do Senado. O presidente falou no sentido de conciliação, de composição de crise e não de ofensa pessoal - explicou.