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No Plenário, debate acirrado entre PT e DEM

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Jornal do Brasil

BRASÍLIA - No Plenário do Senado, a quinta-feira foi marcada pelas tentativas da bancada petista de explicar a posição confusa adotada em relação ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), subiu à tribuna do Senado para afirmar que, apesar da bancada petista defender o afastamento temporário do presidente do Senado, o partido não fará nenhuma pressão para que o peemedebista siga essa orientação. Mercadante disse que a bancada não seria ingênua a ponto de colocar em risco a governabilidade.

A crise do Senado é estrutural, política e sobretudo ética e moral afirmou o líder petista. A nossa bancada considera que a melhor solução seria a licença temporária para assegurar um clima político que permitisse avançarmos sem debatermos uma única figura por mais importante que seja. A licença não se impõe. É um ato voluntário construído com convencimento.

Mercadante reconheceu ainda que qualquer tipo de pressão em cima de Sarney pode colocar em risco a governabilidade de Lula.

Não há governabilidade sem aliança do PMDB. PSDB e DEM nunca nos deram espaço e é verdade que nós também nunca demos a eles, mas queremos ter aliança e queremos que ela continue. Não me peçam aquilo que não posso fazer, gesto ingênuo e espontâneo de fragilizar a governabilidade. Nós queremos ir a fundo, mas sabemos da nossa responsabilidade pela governabilidade justificou-se. Nossa bancada em nenhum momento propôs a renúncia. Não parece que seja o caminho, que seja o correto. Não se resolverá essa crise achando um responsável. Precisamos de uma transformação de medidas mais profundas e isso falaremos com presidente Lula e levaremos esse entendimento.

O petista deixou claro, ao longo do dia, que a bancada do partido do Senado não estava disposta a levar até as últimas consequências a sugestão de afastamento de Sarney.

É claro que o presidente influencia o partido e a minha combatividade está a serviço dele. E é claro que temos um compromisso com as conquistas deste governo, frutos de uma luta de 30 anos, e um compromisso com a governabilidade. Isso não significa submissão ou enquadramento do partido disse Mercadante.

O líder do PT criticou ainda o DEM e a retirada de apoio a Sarney da legenda da oposição aliada da campanha do peemedebista a presidência.

O DEM tem sua responsabilidade porque ocupou a primeira secretaria nos últimos anos observou.

Líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN) desafiou Mercadante a apontar alguma irregularidade administrativa praticada na Casa da qual o partido tenham participado.

Se ele está falando isso, tem a obrigação de apontar as falhas do DEM. Do contrário, o senador vai ficar no campo da leviandade criticou José Agripino. O líder do DEM lembrou que a bancada do PT votou, em 2003, a favor da eleição de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência, assim como em Renan Calheiros (PMDB-AL) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Os três senadores mantiveram Agaciel Maia (ex-diretor-geral do Senado) no cargo. Quem mantém ou demite um diretor é o presidente do Senado.

Agripino disse ainda que a crise política que atinge o Senado é responsabilidade exclusiva de Sarney, e afirmou que era mais doloroso para o DEM do que para o PT pedir o licenciamento de Sarney, mas que a postura era necessária a fim de preservar a instituição do Senado.

O presidente Sarney é um estadista com uma grande história e grandes méritos, mas que não impede de fazer uma investigação transparente só porque ele é objeto. Foi mais difícil para nós essa proposta do afastamento do que para vossas excelências. Rasgamos na própria carne em benefício da instituição completou Agripino. (Com agências)