Senadores admitem omissão e reativam Conselho de Administração

Marina Mello, Portal Terra

BRASÍLIA - Em meio à considerada pior crise institucional já enfrentada, o Senado reativou essa semana seu Conselho de Administração, órgão que reúne os vários diretores da Casa para tratar de questões relacionadas a gestão. O grupo não era convocado havia mais de 15 anos, ou desde que Agaciel Maia assumiu o cargo de diretor-geral e permaneceu até o agravamento da crise.

A existência do Conselho de Administração está prevista no Regulamento Administrativo do Senado e, conforme explica o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), o colegiado existe para dar suporte às decisões da Mesa Diretora. Para que as decisões da Mesa não sejam tomadas atendendo apenas ao interesse de alguns, mas dos diversos setores de uma Casa Legislativa com a dimensão do Senado Federal.

- O Conselho existe exatamente para haver uma oxigenação entre os diretores, uma troca de pensamentos e de debate, apontando caminhos. Ele é essencial para se evitar uma crise administrativa, é fundamental numa administração. Ele divide a responsabilidade com a Mesa. Com ele, se tem a liberdade de alertar o presidente da Casa e os próprios senadores sobre possíveis falhas e permiti um contato com a gestão - explica.

Apesar de a maioria dos senadores ter aprovado a reativação do Conselho, muitos deles não sabiam sequer que o órgão existia. Um deles é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que, apesar de encabeçar o grupo de parlamentares que luta por mudanças no Senado, admite ter sido omisso, ele e todos os outros senadores.

- Nós senadores ficamos trabalhando em nossas bases, nossos projetos e nossos discursos, e achamos que a administração do Senado era coisa de outros. Isso acabou sendo totalmente transferido para o diretor-geral. Se você fizer pesquisa, tenho certeza que a maioria aqui nem sabia da existência deste Conselho. Achamos que isso (administração) já era algo determinado e acabou que o poder que Agaciel soube ocupar é também fruto da nossa omissão - disse.

O senador considerou uma medida positiva a reativação do Conselho, ressaltou que as mudanças sugeridas por ele precisam surtir efeito na prática.

- Felizmente, começou a se reunir, espero que tenha poder e transparência. É um sinal de mudança, mas é cedo para ver se vai ter os efeitos desejados. Tem que separar bem o que é direito e necessidade do que é mordomia - declarou.

Também integrante do chamado "grupo dos éticos" na Casa, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), faz o mesmo mea-culpa de Cristovam, mas ressalta que o atual presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP) tem culpa maior nesta omissão por ter sido ele quem inicialmente deu espaço para Agaciel no Senado.

- Não se levava a sério, as coisas não tinham a responsabilidade e a preocupação devidas. Por isso que Agaciel tomou conta e por ali ficou por quase 15 anos. Foi falta de responsabilidade nossa que deixamos isso acontecer, agora, a responsabilidade de Sarney é maior. Ele foi presidente do Senado por seis anos, foi ele que criou e que reconduziu duas vezes o Agaciel ao cargo - disse.

O senador Romeu Tuma (PTB-SP), que foi primeiro-secretário do Senado no passado, não concorda com a idéia de omissão. Ele explica que durante sua gestão, realizava reuniões periódicas com todos os setores da Casa. Quando assumiu a Primeira Secretaria, o senador afirma ter perguntado se ainda existia o Conselho e simplesmente ter sido informado que ele estava desativado.

- Não concordo com a crítica de omissão. Quando fui primeiro secretário, todo mês eu fazia reunião com segmentos administrativos, chefes de gabinete. O Conselho simplesmente não existia, mas eu acho que ele deve funcionar porque se não, a Mesa fica isolada em suas decisões - explicou.