Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, defendeu nesta segunda-feira que a base aliada governista no Senado fique com a presidência e a relatoria da CPI da Petrobras. Apesar de negar a interferência do governo na escolha dos senadores que vão integrar a comissão, Múcio disse que a maioria (dos partidos da base governista) deve exercer o seu direito de controlar o comando da CPI.
Eu tenho uma tese minha, pessoal, em que a minoria (oposição) tem o direito de requerer, estabelecer a CPI. Cabe à maioria, através do voto, exercer a maioria e escolher os seus membros. Foi assim em todos os governos passados. [...] O modelo que eu vi no Senado nesses anos todos é que a maioria sempre escolhia a presidência e a relatoria explicou.
O DEM e o PSDB reivindicam a presidência da comissão com o argumento de que, tradicionalmente, governo e oposição dividem os comandos da CPI ora na presidência, ora na relatoria da comissão. Como o DEM ocupou a relatoria da última CPI instalada no Senado, da Pedofilia, a oposição afirma que está na sua vez de controlar a presidência da CPI da Petrobras.
Os governistas, porém, sinalizaram que não estão dispostos a ceder o comando da CPI para a oposição preocupados com arranhões na imagem da Petrobras e na disputa com o PSDB e o DEM em 2010. Múcio disse, porém, que a disputa por cargos e indicações para a comissão ficará restrita ao Legislativo. Não se falou em nome, isso vai depender dos líderes do Senado afirmou.
O DEM sugeriu o nome do senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) para presidir a CPI. Com perfil moderado, o senador poderia ser aceito pelos governistas com maior facilidade que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), indicado pelo PSDB para a presidência da comissão.
A expectativa no Senado é que os partidos da base aliada indiquem até o final desta semana os senadores que vão integrar a comissão. Enquanto a oposição já mobilizou sua tropa de choque para a comissão, os governistas não têm pressa na escolha dos nomes para retardar o inicio das investigações. Em encontro nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) prometeu indicar os nomes do PMDB até amanhã.
O problema é que todos os senadores de vários partidos querem participar disse Múcio. De acordo com o ministro, na reunião Lula da Silva mostrou-se preocupado com os efeitos que a CPI da Petrobras possa trazer aos investimento da estatal. Na conversa, que durou cerca de 40 minutos, o presidente demonstrou sua preocupação ao lembrar que a comissão será a mais importante até o final do seu governo por investigar a maior empresa estatal do país.
Essa é uma CPI importante, talvez a maior de todas nesse ano e meio que está faltando de governo, por se tratar da maior empresa do Brasil. A preocupação do presidente, e a conversa baseou-se basicamente nisso, é que não haja uma inibição dos investimentos, na própria dinâmica da Petrobras necessária ao Brasil neste momento disse Múcio. O ministro negou ainda que Lula tenha feito um apelo para o PMDB manter-se alinhado ao Palácio do Planalto durante as investigações, mas admitiu que o governo tem consciência da necessidade do PMDB na CPI já que o partido vai indicar a maioria dos oito senadores titulares da comissão.
Como se trata da maior empresa do país que exerce um papel importante neste momento, eu acho que o fogo amigo não deve chegar nem por perto (na CPI). Todos terão responsabilidade, inclusive a oposição, eu tenho absoluta certeza que vão fazer trabalho responsável avaliou Múcio, que também negou que Renan tenha pedido para o PMDB aumentar sua participação no governo federal, com oferta de cargos, em troca de manter a legenda alinhada ao Palácio do Planalto na CPI.
O governo tem consciência da necessidade do PMDB. O PMDB entende que é um grande partido do governo. Não houve nenhuma demanda nessa área (cargo). Não houve nada, vocês vão ver ao longo do processo que nada disso aconteceu afirmou.