Ivan Richard , Agência Brasil
BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), se defendeu nesta terça-feira das insinuações de que teria pedido a recontratação do seu irmão, demitido esta semana da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Da tribuna da Casa, Jucá disse que não teve interferência na contratação do irmão e não pediu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, nem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a readmissão.
- Não pedi a contratação do meu irmão para a Infraero. Ele foi convidado por pessoas de Recife - afirmou o líder. - Tomei conhecimento da demissão da seguinte forma: me chamaram e disseram que estavam demitindo todos os indicados políticos e isso porque a empresa ia se livrar das indicações políticas - afirmou.
Romero Jucá disse que teve uma conversa com o ministro das Relações Institucionais , José Múcio Monteiro, para criticar a forma como foram realizadas as demissões.
- Disse ao José Múcio que essa não era forma de demitir ninguém. Não falei para o meu irmão voltar, não falei para o presidente Lula para o meu irmão votar - assegurou.
O líder do governo falou ainda que em nenhum momento solicitou ao ministro Jobim a readmissão do irmão e o que falou foi sobre a forma como as demissões ocorrera.
- Não estou pedindo nada ao ministro Nelson Jobim. Não falei uma linha pedindo a volta do meu irmão. O que falei foi a falta de cortesia e de educação da forma como fizeram. Nós políticos não podemos entender que a classe política seja a causa de demissão de ninguém - disse.
Mesmo dizendo não ter divergências com Jobim, Juca cobrou do ministro que ele diga publicamente quem está sujando a Infraero.
- O ministro deveria vir a público e dizer quem está sujando. Isso leva muita leviandade - afirmou Jucá.
- Querem privatizar a Infraero, vamos discutir a privatização, que discutamos o modelo de privatização e a realização de concurso. Se alguém [do PMDB] não está agindo com seriedade, o ministro deve dizer - disse.
O líder do governo defendeu ainda a profissionalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a realização de concursos para preenchimento dos cargos.
- Todos os cargos forma indicação do ministro Jobim. Precisamos colocar os pingos nos is - afirmou Jucá.
Ele acrescentou que não deseja a saída de Jobim do Ministério da Defesa, mas só até a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), de sua autoria, que obriga que o ministro da Defesa seja um militar das Forças Aramadas.
- Ele [Jobim] fica até aprovação da minha PEC em que o ministro da Defesa deve ser militar. Por enquanto ele fica. Não será por minhas mãos que ele terá desculpa para sair - disse.