Trizidela do Vale: uma cidade inteira debaixo d'água

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Dentre as centenas de municípios atingidos pelas chuvas na Região Nordeste, a situação da pequena Trizidela do Vale, localizada há 280 quilômetros de São Luís, no Maranhão, impressiona. Agências bancárias, postos dos Correios, cemitério, farmácias, telefones públicos, postes de eletricidade, tudo foi encoberto pelas águas do Rio Mearim que subiram mais de seis metros acima do nível normal desde o início das fortes chuvas que atingem a região desde abril.

Segundo a Defesa Civil do Maranhão, em Trizidela do Vale as enchentes deixaram 3.643 desalojados, 4.510 desabrigados e um morto. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município é de aproximadamente 18.8 mil pessoas. A estimativa é de que quase 15 mil tenham sido afetadas. Apesar do número alto de desabrigados, o medo de saques levou muita gente a não abandonar suas casas. Os desabrigados lotam as escolas da cidade vizinha de Pedreiras, onde recebem cestas básicas e kits dormitórios distribuídos pela Defesa Civil.

No Maranhão, sete pessoas já morreram devido às chuvas. Cerca de 39 mil estão desalojados, 26 mil desabrigados e 72 municípios estão em situação de emergência. A Defesa Civil estadual lançou a campanha SOS Maranhão, disponibilizando uma conta bancária para doações. Os interessados podem depositar as doações em dinheiro na conta corrente da Caixa Econômica Federal.

Problema antigo

Localizada às margens do Rio Mearim, na região central do Maranhão, a cidade de Trizidela do Vale já convive a um bom tempo com as enchentes. No entanto, nenhuma foi tão forte como a deste ano que deixou a maior parte da cidade submersa e atingiu quase 90% da população.

Os que tiveram que deixar suas casa voltam todos os dias para a entrada da cidade, na beira da ponte que separa o município da cidade de Pedreiras, alugam uma canoa e vão para os locais onde moravam e tomam conhecimento dos danos causados pela cheia. Pago R$ 8 todo dia na canoa para olhar minha casa. Consegui tirar alguns móveis, mas perdi muita coisa conta o aposentado Benedito Furtado, que teve sua casa alagada há duas semanas.

Nascido no município, o cinegrafista amador Rondiney da Silva acredita que para evitar novas cheias seria preciso construir uma nova barragem no próprio Rio Mearim. Acho que só outra barreira para evitar outras enchentes disse o cinegrafista que teve sua casa inundada pelas águas.

A dona de casa Francisca Pinheiro do Vale perdeu as contas de quantas vezes sua casa foi invadida pelas águas. Mesmo acostumada a conviver com o problema, pede que as autoridades tomem providências. Eles têm que fazer alguma coisa. Acho que poderiam fazer outra barreira pede. (ABr)