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SÃO PAULO - O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta segunda-feira que o inquérito da Polícia Federal que levou ao indiciamento do banqueiro Daniel Dantas e de mais cinco diretores do banco Opportunity "não tem nenhum furo técnico" e respeitou os direitos legais dos investigados.
- Esse inquérito foi feito com muito rigor, muita cientificidade, muita qualidade técnica. É muito rigoroso e muito qualificado; vai ser um exemplo para a Polícia Federal se pautar daqui para diante em inquéritos que envolvem questões financeiras - afirmou durante entrevista à TV Brasil.
Tarso afirmou que o saldo da Operação Satiagraha, desencadeada pela PF para investigar supostos crimes financeiros cometidos por Dantas, até agora tem resultados satisfatórios.
- A operação teve resultado, tanto é que já houve uma condenação - disse.
Após o indiciamento, cabe agora ao Ministério Público a decisão de oferecer ou não a denúncia contra os acusados para abertura de ação judicial.
Na entrevista, Tarso também comentou a Operação Castelo de Areia, que investiga crimes financeiros e repasses da construtora Camargo Corrêa. O ministro voltou a negar qualquer tipo de favorecimento ao PT, que ficou de fora do relatório final da operação.
- Isso não ocorreu. Se isso fosse verdade poderia se dizer então que os outros partidos foram poupados nos inquéritos que pessoas do PT estão respondendo. A operação foi muito bem feita e eu desafio alguém a apontar alguma ilegalidade que ela cometeu. As acusações são abstratas - comentou o ministro, que nesta quarta-feira vai ao Senado prestar esclarecimentos sobre a operação na Comissão de Constituição e Justiça. O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também participará da audiência.
Ao comentar a possibilidade de atuação da PF para retirar os rizicultores da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, Tarso afirmou que a ação vai depender das recomendações do ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, relator da ação que confirmou a demarcação da reserva em faixa contínua.
- Vai acontecer o que determinar o ministro Ayres Britto. A sentença será cumprida. O Estado tem o direito de usar o monopólio da força para cumprir a decisão. A PF é a polícia judiciária da União, a ela incumbe cumprir fielmente aquilo que for determinado pela sentença; e quem decide o que cumprir da sentença é o ministro relator - afirmou. O prazo para saída dos não-índios da reserva vence na próxima quinta-feira.