Justiça de SP aceita denúncia contra dois agentes da PF

Portal Terra

SÃO PAULO - A Justiça Federal de São Paulo recebeu denúncia do Ministério Público Federal e abriu processo contra sete integrantes de uma quadrilha especializada em cometer concussões (extorsão praticada por servidor público) contra empresários.

O bando era composto por dois policiais federais e ex-policiais. A quadrilha foi desbaratada pela Operação Persistência, da PF, há um mês.

Um dos integrantes do grupo é o ex-sargento da PM Sérgio Bueno, condenado em 2001 a 23 anos de prisão, por participar do plano para matar o delegado correicional da Polícia Federal de São Paulo, Alcioni Serafim de Santana. Interceptações telefônicas autorizadas pela 7ª Vara Federal de São Paulo demonstraram que era comum que ele se passasse por policial, mesmo não integrando mais a corporação.

Uma de suas principais funções no grupo era passar informações sobre ônibus, carros e caminhões, contendo supostos produtos de descaminho, contrabando ou até mesmo drogas para que seus colegas os abordassem e exigissem vantagens indevidas.

Segundo a denúncia, os agentes da PF Jader Freire de Medeiros e Sergio Roberto Umbuzeiro Eduardo juntaram-se aos ex-policiais civis Renato Christovão e José Carlos Queiroz Elias, o ex-PM Bueno e mais dois conhecidos: Eric Lopes de Siqueira e George Antônio Quito - este último, mais o ex-sargento, eram os principais responsáveis por levantar informações sobre as empresas e veículos que seriam atacados.

De posse das informações repassadas por Siqueira, Quito e Bueno, os policiais Medeiros e Umbuzeiro e os ex-policiais Christovão e Elias iam até as empresas, às vezes acompanhados por Siqueira, e exigiam as vantagens indevidas. A investigação da PF conseguiu informações completas sobre três casos de concussão contra empresários de São Paulo.

Em dois desses casos, as vítimas se negaram a pagar a propina exigida pelos policiais que os intimidavam, alegando que iriam persegui-los. Em um dos casos, o grupo exigiu a propina da vítima durante 15 dias, em sucessivas ligações telefônicas.

Em outro caso, a vítima pagou R$ 10 mil à quadrilha, para se livrar de uma "investigação" que os policiais diziam que iriam iniciar, pois o empresário não apresentou, no momento da abordagem, nota fiscal de uma mercadoria que estava sendo entregue em sua loja.