Deputados: STF não deu novo prazo para saída da Raposa

Agência Brasil

BRASÍLIA - Um grupo de parlamentares da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, criada para acompanhar a saída dos não-índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), esteve nesta terça-feira com o ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apresentar impasses para o cumprimento do prazo de retirada dos não-índios da reserva, que vence quinta-feira. Os deputados não conseguiram do ministro compromisso com um novo prazo para a saída dos arrozeiros da reserva.

- Viemos deixá-lo a par de que não será possível cumprir o decreto até o dia 30. O decreto fala em indenização e assentamento, e isso não está garantido para todas as famílias. As pessoas lá querem saber para onde vão e como vão - afirmou o deputado Márcio Junqueira (DEM-RR).

De acordo com o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), o principal impasse é o reassentamento de um grupo de cerca de 40 famílias que, juntas, têm cerca de 12 mil cabeças de gado e não têm para onde deslocar o rebanho.

- Essas famílias estão no meio, entre os ricos arrozeiros que saíram e os pobres que estão sendo colocados na periferia - relatou.

Segundo Gabeira, o Estado de Roraima informou que poderá realocar as famílias para uma área a cerca de 80 km da reserva, mas a infraestrutura para a transferência só estaria disponível daqui a pelo menos um ano.

- O problema é para onde vão essas pessoas, e o que fazer com esse gado. Nossa proposta é que o governo compre o gado, através de uma medida provisória, que nós encaminharíamos rapidamente e distribua para os índios. É muito mais prático que o gado seja entregue aos índios e o governo indenize as pessoas a partir desse processo - sugeriu Gabeira.

Pelo menos 14 famílias desse grupo poderão ser encaminhadas para uma fazenda próxima, após o arrendamento da área, segundo Gabeira.

- Mas a fazenda é pequena para tanto gado. Algumas famílias terão que buscar outro caminho, enquanto esperam a realocação pelo governo do Estado - ponderou.

Durante a reunião, o ministro Carlos Ayres Britto não sinalizou qualquer possibilidade de estender o prazo, segundo Gabeira. O parlamentar acredita em uma "retirada pacífica", sem grandes conflitos entre as autoridades policiais e os não-índios.

De acordo com Gabeira, o ministro Ayres Britto garantiu que os possíveis casos de resistência serão tratados com "humanidade" após o prazo de saída voluntária.

- Haverá muito drama. Fiz um pedido ao ministro para que sejam pacientes com os que têm mais de 80 anos, que nasceram e viveram lá e possivelmente terão uma vida muito curta ao serem retirados e colocados em outros lugares - apontou.