Odilon Rios, Portal Terra
MACEIÓ - No meio do escândalo envolvendo o uso sem controle de passagens aéreas por políticos em Brasília, um assessor da vice-presidência do Senado fretou um jato particular para ir a Maceió interceder junto à superintendência da Polícia Federal por um empresário da cidade. Frederico Aurélio Bispo, que trabalha no gabinete do senador Marconi Perillo (PSDB-AL) em Brasília, foi até a capital alagoana para pedir, usando uma possível influência exercida pelo cargo que ocupa, porte de arma para Walmer Almeida da Silva, dono de uma revenda de veículos em Maceió.
Segundo a assessoria do senador, Bispo foi contratado há cerca de um mês, como cargo em comissão no gabinete. Ao saber do ocorrido, Perillo ordenou a exoneração do assessor, que deve ser comunicada nesta terça-feira. O senador informou que não tinha nenhum conhecimento sobre o motivo da viagem de Bispo, mas foi confirmado que ele não estava no gabinete nesta segunda-feira.
O pedido de porte de arma foi feito ao superintendente da PF no Estado, José Pinto de Luna, que negou.
- Pedi que ele fosse trabalhar em Brasília porque nós pagamos o salário dele com os nossos impostos - disse Luna.
De acordo com o superintendente, houve um contato do gabinete do senador para a superintendência na última sexta-feira.
- Eles queriam uma audiência, mas não adiantaram o assunto - explicou.
O encontro foi marcado para hoje. Luna foi a Paripueira, município no litoral norte alagoano, para uma ação da polícia de replantio de árvores da mata Atlântica, quando foi abordado pelo assessor na estrada.
- Ele tinha ido à sede da superintendência e foi avisado que eu estava em Paripueira. Nós nos encontramos no meio da rua, estava de paletó, gravata, crachá do Senado, apresentou documento de que trabalhava no gabinete do senador. Ele me deu até um cartão. Falava da possibilidade de um porte de arma para este empresário. Eu disse não - contou o superintendente.
Segundo Luna, o assessor estava apressado.
- Ele disse que estava com um jato particular, de volta a Brasília.
O superintendente ligou para o gabinete de Marconi Perillo.
- Eles confirmaram que ele trabalhava lá e não estava. Tinha viajado -isse o superintendente.
De acordo com Luna, o empresário tentou outras vezes o porte de arma, mas não lhe foi concedido. Procurado pela reportagem, Silva não atendeu às ligações.