Portal Terra
GURUPI, TOCANTIS - Uma idosa morreu nesta segunda-feira na porta de um hospital de Gurupi (TO), a 245 km da capital, enquanto aguardava atendimento médico dentro da ambulância. Rosália Alves de Abreu, 70 anos, tinha câncer há cinco anos e foi até o hospital porque sentia piora no seu estado de saúde. Para o Ministério Público Estadual houve omissão de socorro, já que nenhum médico prestou atendimento à paciente.
A aposentada era de Formoso do Araguaia, a 327 km da capital, e foi até o Hospital Regional de Gurupi (HRG) em companhia da de uma filha e de uma enfermeira, depois que seu estado de saúde teria piorado, na noite do último domingo. Ela esperou quase três horas em cima de uma maca.
De acordo com a filha da vítima, Maria Raimunda Alves de Abreu, antes de seguirem para Gurupi, a Unidade de Formoso teria ligado para o HRG solicitando a vaga.
- Eles informaram para o hospital que não tinha vaga e mesmo assim a gente veio, na tentativa de se conseguir um encaminhamento para Palmas. Chegando aqui, o médico se recusou a atender minha mãe e disse que não era especialista. As enfermeiras ainda tentaram mais umas duas vezes, falando com ele, mas mesmo assim ele se negou a atender - disse.
A ambulância de Formoso chegou a Gurupi por volta de 9h da manhã da segunda-feira com a aposentada, que passava mal. Sem atendimento, os familiares continuaram aguardando que o médico prestasse o socorro, até que a aposentada não resistiu e morreu dentro da ambulância.
Os familiares da aposentada comunicaram o fato à Polícia Militar e ao Ministério Público Estadual, que foram até o local e constataram a morte da aposentada. De acordo com o promotor plantonista Argemiro Ferreira dos Santos, o caso é um flagrante de omissão de socorro contra o médico que estava de plantão, o que codifica uma pena de até dois anos de reclusão.
- Vamos agora apurar as justificativas por parte do hospital, que foi notificado. O diretor da unidade (Washington Patrocínio) foi encaminhado para a delegacia, onde prestou depoimento. O médico (Martins Rodrigues da Luz), além de detenção, pode ter o CRM cancelado e ainda ter que indenizar a família da vítima - disse.
O médico Martins Rodrigues da Luz foi encaminhado para a Central de Flagrantes, onde foi ouvido pelo delegado de plantão Jackson Ribas. Outras testemunhas também foram ouvidas. Após prestar depoimento, o médico foi liberado.
Em nota, o HRG disse o hospital recebeu telefonema do Hospital Municipal de Formoso do Araguaia solicitando vaga para internação de uma paciente oncológica em estado grave e que mesmo tendo sido comunicado da falta de vagas, e de que a referência para tratamento a pacientes oncológicos seria Palmas ou Araguaína, o Hospital de Formoso desconsiderou as informações e encaminhou a paciente para Gurupi.
Ainda conforme o HRG, a ambulância com a paciente chegou acompanhada apenas por uma enfermeira, quando o procedimento padrão nesses casos é vir acompanhada por um médico, já que o seu estado de saúde era considerado grave.
O hospital ressalta que não tinha condições de receber a paciente, mesmo assim, os acompanhantes insistiram em ficar esperando na porta. A direção do Hospital Regional de Gurupi vai abrir um procedimento administrativo para investigar o caso. Já o médico não quis falar com a imprensa.