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BRASÍLIA -
A Constituição de 1988 garantiu aos povos indígenas uma educação escolar diferenciada, que respeitasse a cultura e os saberes tradicionais de cada etnia. Mas 20 anos depois, escolas sem infra-estrutura, materiais didáticos inadequados e a falta de professores especializados ainda são problemas comuns.
Em setembro, cerca de 600 representantes dessas comunidades e dos governos federal, estaduais e municipais se reunirão em Brasília para a 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena. A idéia é discutir qual é o modelo de educação adequado para esses povos.
A educação diferenciada significa que eles têm o direito de utilizar a língua materna nas escolas e introduzir no ambiente escolar seus conhecimentos, práticas e saberes. Em termos de legislação, no plano da educação indígena, o Brasil é bastante avançado, o que precisa é sair do plano ideal e ser de fato implementada avalia o secretário executivo do Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena (Iepé), Luis Donisete Grupioni.
Para o especialista, as secretarias de Educação ainda têm enorme resistência em aceitar calendários diferenciados propostos pelas comunidades. A legislação garante que se uma comunidade realiza um grande ritual ou há épocas em que boa parte dos seus membros saem para caçar, a escola teria que se adaptar às atividades cotidianas desses grupos explica.
Susana Grillo, da coordenação de Educação Indígena do Ministério da Educação, afirma que é preciso garantir a autonomia pedagógica das escolas indígenas.
Envolve a questão da proposta curricular, organização, formação do professor. Efetivar esse protagonismo das lideranças, pais e mães para formular esse projeto político ainda é um desafio. A tradição da nossa educação é de propor padrões homogeneizantes, sem considerar as diversidades conclui.