Tarso e Múcio levam proposta de reforma política à Câmara

Portal Terra

BRASÍLIA - Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e das Relações Institucionais, José Múcio, entregaram nesta terça-feira ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), a proposta do governo de reforma política. De acordo com Múcio, o governo ouviu diversos setores da sociedade, além de entidades civis e cientistas políticos.

O ministro das Relações Institucionais explicou que a proposta foi feita de forma 'fatiada', ou seja, todos os temas - como inelegibilidade ou financiamento público de campanha - são abordados sem que um interfira no outro. - Trouxemos a proposta para somar com os projetos sobre o tema que já tramitam no Congresso. A diferença é que essas são propostas independentes, um tema não atrapalha outro - disse.

Para ele, é primordial que a reforma política seja aprovada em breve. Na visão do ministro, a enxurrada de processos em tramitação na Justiça Eleitoral ao final de cada eleição deixa clara a urgência da aprovação do projeto. - Hoje as demandas jurídicas são impressionantes quando se acaba uma eleição - comentou Múcio.

O presidente Michel Temer elogiou o fato de a proposta ter vindo fatiada e falou do esforço que será feito para juntar esse projeto aos outros sete, incluindo uma proposta de emenda constitucional (PEC) - em tramitação no parlamento. - É uma reforma que está nas nossas metas, queremos ver se a levamos adiante. O governo trazê-la fatiada é coincidente com o que pensamos no Congresso. Eu espero que fatiadamente consigamos fazer a reforma política - afirmou.

Depois do encontro com Temer, os dois ministros se reuniram com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para tratar do assunto. Segundo Tarso, Sarney concorda com diversas abordagens feitas pelo governo, em especial com a defesa da votação em lista fechada e com o financiamento público de campanha. - São dois temas fundamentais para modernizar - defendeu o ministro da Justiça.

Tarso e Múcio reforçaram aos presidentes das duas Casas que a proposta do governo passa longe de qualquer sugestão que se relacione de alguma forma com a tese do terceiro mandato. Questionado se a proposta de reforma do governo acaba de vez com o fantasma da reeleição, Tarso Genro foi enfático: 'Não afasta porque o fantasma não existe. O presidente entende que mudar a regra do jogo não é correto'.