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PF ajudará a investigar morte de vice-presidente do PT de PE

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Portal Terra

RECIFE - A Polícia Federal vai auxiliar na investigação sobre a morte do vice-presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Manoel Bezerra de Mattos Neto, 44 anos. Ele foi assassinado na noite do último sábado na praia de Acaú, na Paraíba, por dois homens armados com pistola e espingarda.

Dois delegados federais, um de Pernambuco e outro de Brasília, irão dar apoio às investigações que são realizadas por policiais civis pernambucanos e, também, da Paraíba. Entretanto, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitaram à Superintendência da PF para que o caso seja conduzido apenas pela Polícia Federal.

Segundo o deputado federal Fernando Ferro (PT), de quem Manoel Mattos foi assessor, a solicitação se deve ao fato de que há limites territoriais que podem comprometer as investigações, que seriam feitas por dois Estados. - Se concentrarmos o caso nas mãos da Polícia Federal, isso facilitará as investigações - afirmou o deputado.

Manoel Mattos foi morto quando conversava com oito amigos numa casa de praia. Dois homens armados entraram na casa e mandaram todos deitarem no chão. Ao identificarem a vítima, efetuaram os disparos que atingiram o tronco e a cabeça de Manoel Mattos. Segundo a polícia, o caso tem conotações de execução. Depoimentos das testemunhas atestam que os dois homens, antes de atirar, teriam dito para a vítima: 'É você mesmo, rapaz'.

Manoel Mattos era conhecido pelo seu combate contra o crime organizado na Zona da Mata de Pernambuco. Ele foi um dos participantes, como testemunha, de dossiês entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Federal entre 2003 e 2006 que apurou a existência de grupos de extermínio. Devido a isso, ele passou a receber permanentemente diversas ameaças de morte. O fato motivou o pedido de escolta policial, para garantir a integridade física dele. Entretanto, em 2007 ele não teve mais esse benefício.

Segundo o assessor de comunicação da Polícia Federal em PE, Giovani Santoro, a suspensão da escolta se deu porque Manoel Mattos não cumpria as orientações de segurança dos agentes. - Ele descumpria a determinação de locais que não podia freqüentar, bem como, os horários. Dessa forma, não apenas ele corria risco, bem como, os agentes - explicou o assessor.

Integrantes de movimentos ligados aos Direitos Humanos se reuniram no Recife, na Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos, para discutir o processo de investigação. Participaram do encontro o secretário Rodrigo Pellegrino, representantes do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), do Centro Dom Helder Câmara de Direitos Humanos (Cendhec), da ONG Dignitatis e o deputado federal Fernando Ferro.