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BRASÍLIA - O ano de 2008 poderá resultar no pior desempenho do governo Lula na realização da reforma agrária, de acordo com estimativas de entidades sociais. Ainda assim, no acumulado, a atual administração terá obtido o maior volume de assentamentos do país, apesar de dificuldades como a legislação, segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.
De 2003, primeiro ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a 2007, foram assentadas 449 mil famílias, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que faz parte do ministério. Houve um pico de 136,3 mil famílias em 2006, caindo para apenas 67,5 mil em 2007.
O balanço de 2008 será divulgado ainda este mês, mas, segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foram assentadas apenas 20 mil famílias.
Cassel negou que os números tenham ficado em 20 mil ('deve ser boato') e disse que o ministério trabalhou em 2008 com uma possibilidade de assentamentos de 80 mil ou 100 mil famílias, dados que ainda não estão fechados.
- A reforma agrária gera muitas expectativas. Mas o que se tem é que do 1,1 milhão de famílias assentadas desde sempre no Brasil, 500 mil foram assentadas por este governo, até agora - disse Guilherme Cassel, explicando que o resultado corresponde a cerca de 40 milhões de hectares de terra.
- A reforma agrária é: antes e depois do governo Lula - afirmou, em nova versão da máxima 'nunca antes neste país' dita pelo presidente Lula.
Cassel, engenheiro gaúcho que assumiu a pasta em abril de 2006, responde às cobranças dos sem-terra afirmando que há entraves para a realização da reforma agrária, como uma legislação conservadora, que prevê, entre outros itens, que as desapropriações de terra sejam pagas pelo preço de mercado. A reforma agrária é regulamentada pela Constituição de 1988.