Agência Câmara
BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, pediu que os culpados pelo grampo ilegal ao líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), sejam identificados e punidos. Chinaglia defendeu também o aprimoramento da legislação sobre interceptações telefônicas e ressaltou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas, em andamento na Câmara, deve propor alterações na lei.
Aníbal foi informado pela Polícia Civil de São Paulo sobre o grampo. Os policiais paulistas teriam identificado duas gravações telefônicas com trocas de informações pessoais do parlamentar. Eles informaram ter desbaratado a quadrilha, integrada por detetives particulares e funcionários de bancos e de empresas de telefonia.
Chinaglia destacou que já foi informado que muitas vezes os magistrados são enganados para autorizar grampos "quase que por atacado de uma série de números".
- Se há insegurança por parte das operadores de telefonia, eu avalio que elas também têm que assumir responsabilidades. Não é possível que qualquer quadrilha se organize e a partir daí amealhe informações que vai usar ou para prejudicar pessoas, ou para ganhar dinheiro, ou as duas coisas - acrescentou.
Aníbal também defendeu que as empresas de telefonia sejam responsabilizadas pelo grampo ilegal. - Elas precisam ser criminalizadas porque tinham que ter dispositivos e condições, e podem fazer isso, para evitar essa 'grampolândia'. Eu sou inteiramente a favor de escutas telefônicas com autorização judicial para investigar quadrilhas, crime organizado, tráfico. Mas isso ter se tornado um mercado negro de ilegalidades e ilicitudes é muito ruim. Espero que dessa vez, como envolveu a mim, parlamentar, líder do principal partido de oposição, tomemos as decisões adequadas para que isso não se repita - afirmou.
A CPI das Escutas Telefônicas teve os trabalhos prorrogados até 15 de março. No relatório final a ser votado pela comissão, devem ser propostas alterações na legislação sobre grampo.