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Missionárias entregam a Vannuchi documento sobre violência no Pará

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Norma Moura, JB Online

BRASÍLIA - O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, recebeu nesta sexta-feira as religiosas Rebeca Spires e Julia Depweg, que trabalharam por quase 40 anos com a missionária Dorothy Stang, assassinada em 2005 em Anapu, no Pará. Elas foram entregar ao ministro um manifesto e um dossiê com os casos de crimes contra a população local que estão impunes até hoje.

- Juntamos os casos da capital e do interior. Queremos apoio para acabar com a impunidade. Há pessoas que foram vítimas de crimes e que nunca tiveram solução para seus casos. Isso preocupa. As pequenas impunidades levam a crimes maiores, como os homicídios alertou Rebeca.

Rebeca Spires veio para o Brasil há 40 anos acompanhada de várias religiosas, entre elas Dorothy Stang, que foi cuidar da questão dos agricultores sem terra, enquanto ela se dedicou à questão indígena. Rebeca e a missionária Julia Depweg estão no documentário lançado esta semana no Festival Internacional de Cinema (FIC) de Brasília, sobre a morte de Dorothy, que tentou defender os sem-terra contra o poderio dos grileiros e madeireiros.

Na quarta-feira, as irmãs se encontraram com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Brito. Como Vannuchi, ele recebeu um documento relatando a violência no estado. Elas voltam neste sábado para o Norte, onde acompanharão a audiência pública sobre os problemas enfrentados pelos agricultores que integram o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) em Anapu. Confirmaram presença representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o procurador da República no Pará, Felício Pontes.

Insegurança

Uma das preocupações dos agricultores assentados é a volta à região do fazendeiro Regivaldo Galvão e do agricultor Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida. Condenados a mais de 20 anos pelo assassinato de Dorothy, eles foram absolvidos no segundo julgamento, realizado em maio deste ano, da acusação de terem tramado e executado a morte da missionária.

A preocupação se explica pela ida de cerca de 15 agricultores ao Incra local para declarar que tinham vendido suas terras no lote 55 do PDS a Bida. Por décadas, Dorothy denunciou a ação dos grileiros, que se valem de recibos assinados por posseiros que, sob coação, transferem seus direitos sobre as terras.