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Tristes realidades: do câncer de mama aos acidentes de trânsito

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Idelina Jardim, Jornal do Brasil

RIO - Há dois anos, a doméstica Maria José de Oliveira Souza, de 53 anos, descobriu "por acaso" o câncer de mama, ao apalpar as axilas durante o banho. Casada e mãe de três filhos, a mulher contou que na família não há histórico da doença e confessou que teve a vida "ao avesso" quando soube que o nódulo media 4 cm.

Apesar da notícia, ganhou forças de parentes e amigos e há um ano e meio deu início ao tratamento no Instituto Nacional do Câncer (Inca) na unidade de Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi depois encaminhada para a sede do hospital, na praça da Cruz Vermelha, no Centro. Simpática e sorridente, Maria José, acompanhada do irmão Paulo Roberto, não se incomodou em falar da doença na saída do Inca na tarde da quinta-feira.

Fiz sete seções de quimioterapia, sendo quatro vermelhas, que são as mais fortes, e o restante de amarelas, porque não estava resistindo. Mesmo assim, ele não diminuiu e agora faço radioterapia revelou.

Das 25 seções que deverá fazer, quatro já foram concluídas e não há previsão de cirurgia, até o momento. Lembrar do câncer já foi mais doloroso.

Quando descobri a doença fiz muitas bobagens. Pedi as contas a patroa, onde trabalhava há cinco anos, vendi minha casa e só chorava. fiquei atordoada disse, ao lembrar do apoio da família. Ela me fortalece, meu marido especialmente, que cuida de mim e faz as coisas Ele é tudo declarou.

A carioca de palavras simples mostrou otimismo na recuperação, e conclama as mulheres para fazerem o auto exame.

A mulher tem que estar alerta e se apalpar. Procurar um médico se notar algo diferente. Já estou me recuperando, o pior já passou. O próprio médico me disse que eu vou vencer confessou, enquanto recebia o carinho do irmão.

Trânsito cruel

Em setembro de 2003, o engenheiro Fernando Alberto da Costa Diniz, 61 anos, viveu o drama de ver seu filho, de 20 anos, vítima da violência do trânsito no Rio de Janeiro.

O jovem Fabrício Pinto da Costa Diniz, acompanhado da namorada, procurava pela internet amigos que dirigissem na noite do acidente, e também para que fizessem companhia às três amigas dela. O engenheiro revelou que um conhecido de dois meses do filho, Marcelo Henrique Negrão Kijak, de nacionalidade uruguaia e brasileira, ofereceu-se para ser o motorista e, do carro do pai, fez um brinquedo de corre-corre.

O rapaz teve a prisão preventiva decretada na época, não compareceu a nenhuma audiência e está foragido da Justiça. Dos cinco jovens, apenas o motorista e uma das meninas carona, sobreviveram. O filho de Diniz, que estava no banco de trás, hoje deixa a saudade no pai, que criou a Ong Trânsito Amigo que conscientiza condutores e auxilia familiares de vítimas do trânsito.

Passaria por todo esse sofrimento de novo, só para viver outros 20 maravilhosos anos ao lado do Fabrício. Era um rapaz sempre disposto a ajudar o trabalho que faço é por ele e pela sociedade.

Fernando Diniz é autor do projeto de lei 797/07 em tramitação no Senado que cria mecanismos para punir com mais rigor os maus motoristas.