Luciana Abade, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O Brasil apresentou nos últimos anos melhora considerável na maioria dos indicadores do mercado de trabalho. Ainda assim, persistem elevadas taxas de desemprego e informalidade, baixo grau de proteção social e rendimento e um nível significativo de discriminação em relação às mulheres e à população negra. É o que mostra o relatório Emprego, desenvolvimento humano e trabalho decente: a experiência brasileira recente, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Se compararmos a situação de 2006 com a de 1992, houve melhoria em quase todos os indicadores, mas persistem déficits de trabalho decente. diz Laís Abramo, diretora do escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. O que chama a atenção é a grande diferença das taxas de desemprego em termos de gênero e raça. O desemprego continua sendo feminino, negro, jovem e urbano.
É grande a desvantagem de mulheres, negros e jovens no mercado de trabalho. As taxas de desemprego recuaram entre 2003 e 2006 mais para os homens (19% para os brancos e 17% para os negros) do que para as mulheres (12% para as brancas, 9% para as negras). A cor da pele e o gênero influem, também, na renda salarial. Os homens negros recebiam, em 2006, 73,9% da remuneração dos homens brancos; as mulheres brancas 56,2% e as negras 41,4%.
A informalidade atinge 42,8% dos homens brancos e 47,4% dos negros trabalhadores. Entre mulheres, o índice é de 51,8% para brancas e 62,7% para negras.
Jovens
Os jovens continuam a ser o grupo com mais dificuldade de conseguir emprego. Recebem menores salários, mesmo com escolaridade elevada. A faixa entre 16 e 24 anos é a mais afetada, na qual a quantidade de jovens que não estudam nem trabalham é preocupante. São 6,3 milhões de brasileiros nessa situação. Embora a escolaridade média tenha crescido entre a população juvenil, a inserção no mercado de trabalho daqueles que querem ou precisam se deteriorou , diz o estudo, ressaltando que o combate às desigualdades depende do crescimento econômico, mas não totalmente.
A economia brasileira mostrou, nas últimas décadas, que períodos de crescimento notável da produção podem gerar sociedades injustas, com elevada concentração da riqueza disse Kim Bolduc, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Pontos positivos
Um dos aspectos mais positivos constatados pelo estudo diz respeito à queda da informalidade. De 1993 a 1999, o emprego informal cresceu mais que o formal, mas essa tendência se inverteu no período de 2000 a 2006.
A maior valorização da escolaridade nos processos de contratação é uma característica importante da revolução recente do mercado de trabalho brasileiro. Entre 1992 e 2006, caiu consideravelmente a taxa de participação dos indivíduos que têm até quatro anos de estudo e cresceu a presença dos que têm entre nove e 11 anos de instrução.
A inserção precoce no mercado de trabalho prejudica diretamente os estudos das crianças brasileiras.
O senso comum diz que é bom para a criança aprender a trabalhar cedo. É um erro garante Laís. A média salarial de um adulto que começou a trabalhar antes dos 14 anos é de R$ 1 mil. Já a criança que começou antes dos nove, ganhará R$ 500.