Carlos Minc declara guerra à produção de carvão

Luciana Abade, Jornal do Brasil

SERRA TALHADA (PE) - Depois de realizar diversas operações na região amazônica, o Ministério do Meio Ambiente mudou o foco e vai combater o desmatamento na caatinga, que já perdeu 30% do seu bioma original. O ministro Carlos Minc, esteve nesta quarta-feira no interior de Pernambuco para destruir 69 fornos que produzem carvão ilegal na Fazenda Carnaúba, de propriedade de Argemiro Pereira de Menezes, localizada em Serra Talhada. A fazenda foi multada em R$ 200 mil.

O ministério do Meio Ambiente não é um samba de uma nota só disse Minc. A caatinga não vai virar carvão e o Nordeste não vai virar deserto.

Estimativa do ministério mostra que 15 milhões de hectares de caatinga já estão em processo de desertificação. Denominada de Versúvio, a operação do ministério que conta com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e das polícias Federal, Rodoviária e Militar pretende destruir em duas semanas 800 fornos de carvão ilegal que estão presentes no polígono do carvão, formado pelos municípios de Custódia, Salgueiro, Serra Talhada e Ibimirim.

A fazenda multada pelo ministro está desmatando sem autorização espécies nativas como angico e engazeira que levam, geralmente, 20 anos para crescer. São necessárias 20 árvores para uma fornada de carvão. Cada forno produz a cada dois dias 50 sacos de carvão. Vendidos a R$ 6,5 cada um, a fazenda Carnaúba arrecada por mês R$ 336 mil.

Cada um dos 20 trabalhadores da fazenda, no entanto, ganha apenas R$ 12 pelo dia de trabalho. Durante os picos de produção eles chegam a trabalhar 24 horas por dia e nenhum tem carteira assinada.

Com seis filhos para criar, o gerente da fazenda, Francisco de Assis Alves, que recebe R$ 500 por mês, sabia que a atividade era ilegal, mas alegou que não há outra coisa a se fazer, principalmente no período de seca. Ele foi detido para prestar depoimento.