ASSINE
search button

Depois de Lula, Dilma defende redistribuição de royalties

Compartilhar

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha reacendido o debate público sobre a distribuição dos royalties do petróleo e a criação de uma estatal para gerir o pré-sal ao afirmar que as reservas gigantes não são para meia dúzia de empresas . Nesta quarta-feira, a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, defendeu a aplicação dos recursos em um fundo de educação. Enquanto isso, a discussão no Congresso sobre um novo cálculo das compensações financeiras ameaça tirar do Rio de Janeiro, que tem mais de 80% do petróleo brasileiro e recebeu R$ 4,297 bilhões em royalties em 2007. A proposta partiu do deputado Júlio César (DEM-PI). Não é só. Irritados com a movimentação do governo de tirar da Petrobras a primazia e a gerência dos poços gigantescos, acionistas da empresa prometem ir ao Supremo Tribunal Federal para evitar que o projeto vá à frente.

Reunidos pela primeira vez em assembléia, os acionistas questionaram nesta quarta o diretor financeiro da petrolífera, Almir Barbassa, sobre a possibilidade de o governo delegar a uma nova estatal todos os poderes sobre o petróleo extraído da camada pré-sal, já apelidada pelo mercado de Petrosal. Enquanto isso, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reafirmou a intenção do governo de investir o retorno do petróleo em benefícios na área educacional. Afastou ainda a possibilidade de o país ser atingido pelo que chamou de maldição do petróleo , onde grandes produtoras abdicam da industrialização para depender exclusivamente do óleo.

Mesmo pressionado, Almir Barbassa limitou-se a dizer que não iria comentar o assunto e, lembrou que uma comissão interministerial foi criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do pré-sal e que ainda não há nenhuma definição. A preocupação do governo é garantir maior arrecadação diante da perspectiva da existência de um volume de petróleo que colocaria o Brasil entre as grandes potências produtoras.

- Pode ir para o Supremo Tribunal Federal e se alongar durante muito tempo sim disse o presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec/RJ), Luiz Fernando Lopes Filho, referindo-se à possibilidade de criação de uma nova empresa para o pré-sal.

O presidente da Apimec ressaltou que a Petrobras tem dezenas de milhares de investidores dentro e fora do país, inclusive os grandes fundos de pensão mundiais, e por isso tem que zelar pelo interesse dos que estão apostando na empresa .

Avaliação

A Petrobras anunciou que fará um teste sísmico de alta definição para descobrir se os blocos do pré-sal da Bacia de Santos estão interligados. De acordo com um executivo da empresa, é bem possível haver necessidade de se unir os reservatórios.

As sísmicas atuais, que a gente tem, mostram que existe uma boa continuidade, a gente quer, novamente, avaliar melhor disse o coordenador de Exploração e Produção da estatal, Eduardo Alessandro Molinari.

Ele informou que a sísmica será feita em Tupi, o bloco que possui mais informações entre os que já foram perfurados pela empresa e parceiros na camada pré-sal da bacia de Santos.

Se ficar comprovada a interligação entre os blocos, as empresas que possuem áreas na região terão que explorar juntas o petróleo e o gás natural contidos nos reservatórios. As explorações poderão ser iniciadas antes de um acordo, explicou Molinari, ressaltando que, depois, uma empresa compensa a outra.