ASSINE
search button

Presa quadrilha que roubava bancos em três estados

Compartilhar

Norma Moura, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Após meses de investigação, a Polícia Federal (PF) prendeu, ontem, uma quadrilha especializada em assaltos a bancos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A Operação Alvará colocou atrás das grades três policiais militares do estado de Goiás. Além deles, foram presas uma estagiária de direito, a mulher de um dos policiais militares e a de um dos assaltantes. Três pessoas continuam soltas.

A estagiária pagava aos três militares para realizar ingerências nos presídios e apoiar os assaltantes. Outros quatro integrantes da quadrilha foram presos entre abril e maio deste ano, durante as investigações.

A Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal estima que o bando tenha roubado R$ 1 milhão de agências bancárias, só este ano.

Nas primeiras horas da manhã de ontem, os policiais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão contra os três homens e as três mulheres suspeitos de integrar a quadrilha.

Eles são acusados de aterrorizar habitantes dos municípios de São Domingo, no Maranhão, e Paranã, em Tocantins, em fevereiro e março deste ano.

Metralhadora

Em Paranã, município com pouco mais de 10 mil habitantes, os bandidos renderam os policiais da delegacia e do único batalhão da cidade.

Segundo a PF, moradores tiveram que se jogar no chão enquanto o bando metralhava a fachada de uma agência do Banco do Brasil, de onde levaram R$ 200 mil. Habitantes foram feitos de refém até a saída do bando da cidade. A ação foi filmada pelos agentes da Polícia Federal.

Houve troca de tiros com os agentes, que investigavam a quadrilha desde novembro do ano passado.

Na ocasião, três integrantes saíram pela porta da frente da Cadeia Pública da Cidade Ocidental, no Entorno do DF, graças a alvarás falsos, conseguidos pela estagiária.

Ela falsificava os documentos, fazendo com que eles parecessem expedidos por ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A PF investiga agora a atuação dos servidores de segurança pública de Goiás que deixaram de verificar a autenticidade dos alvarás.

Modus operandi

Segundo o superintendente em exercício da PF em Brasília, o delegado Marcelo Mosele, a quadrilha atuava sempre da mesma forma. Escolhia como alvo pequenas cidades de interior do país, com movimentação significativa de dinheiro. Os bandidos estudavam o esquema de segurança do município e das agências bancárias antes de agir. Armados com fuzis e pistolas, rendiam a população e os policiais, até o fim do assalto, em uma ação conhecida como tora.

Além dos assaltos a Paranã e São Domingo, eles são suspeitos de roubar outros bancos nos estados do Ceará, Pará, Tocantins e Maranhão. O delegado Mosele declarou que a polícia tirou de circulação uma quadrilha bem estruturada e violenta.

É uma verdadeira organização criminosa, com repartição de tarefas disse.

A estagiária era o elo entre os assaltantes e servidores públicos. Ela fazia contatos com o objetivo de facilitar a fuga do bando, como ocorreu em novembro com os três alvarás de soltura falsos.A PF não divulgou os nomes dos presos.