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Candidato a prefeito de Mariana faz campanha atrás das grades

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REUTERS

BELO HORIZONTE - A cidade histórica de Mariana, na região central de Minas Gerais, tem um de seus candidatos a prefeito, Francisco de Assis Ferreira Carneiro, conhecido como Chico da Farmácia, do PMN, fazendo campanha atrás das grades. Ele está preso, por determinação da Justiça, desde o dia 31 de maio, acusado de ser o mandante do assassinato do ex-prefeito da cidade, João Ramos Filho (PTB), de 78 anos.

Ramos, que esteve à frente da prefeitura de Mariana por três mandatos (de 1973 a 1977, de 1982 a 1986 e de 1992 a 1996), foi assassinado em uma emboscada na BR-262, quando voltava do posto de combustíveis que tinha na rodovia. Para a Polícia Civil, Chico da Farmácia foi o mandante do crime e, no fim de maio, o empresário foi preso por determinação judicial.

A Justiça já negou pedido de revogação da prisão preventiva e, na semana passada, prorrogou por mais 30 dias a prisão do candidato. Mas Chico da Farmácia continua alegando inocência, e por meio de seu advogado fez o pedido de registro da candidatura, e da cadeia orienta os correligionários encarregados de pedir votos no município.

João Ramos era novamente candidato à prefeitura, posto assumido por sua mulher, Terezinha Ramos (PTB). Com isso, é possível que o principal suspeito do assassinato concorra com a viúva da vítima.

A incomum disputa, porém, ainda depende da decisão da Justiça eleitoral. Segundo o promotor Edson Resende, coordenador do Centro de Apoio Eleitoral do Ministério Público Estadual, a legislação brasileira permite que qualquer pessoa que não tenha condenação transitada em julgado participe de eleições. - Mas há um entendimento recente de indeferimento de candidaturas com base na vida pregressa da pessoa - observou.

O promotor afirma que o caso ainda será analisado, mas o MP pode impugnar a candidatura de Chico da Farmácia. Nesse caso, caberá ao juiz eleitoral acatar ou não a impugnação.