Agência Brasil
SÃO PAULO - O corregedor-regional da Polícia Federal de São Paulo, Dirceu Bertin, foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão pela prática dos crimes de corrupção passiva e violação de sigilo funcional. A decisão foi tomada no dia 1º de julho, mas divulgada apenas hoje. As informações são da Justiça Federal de São Paulo.
A sentença, do juiz federal substituto Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4ª Vara Criminal Federal, teve como base interceptações telefônicas obtidas entre os dias 17 de janeiro e 8 de agosto de 2003. As gravações foram realizadas com autorizações judiciais proferidas na chamada Operação Anaconda, 2003.
A operação, realizada pela Polícia Federal, desvendou um esquema de venda de sentenças judiciais. As investigações mostraram que a organização criminosa atuava em São Paulo, com ramificações nos Estados do Pará, Alagoas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Dirceu Bertin, utilizando-se de seu cargo de corregedor da PF, retardou indevidamente a instauração de procedimento disciplinar administrativo contra o delegado da Polícia Federal José Augusto Bellini e o agente César Herman Rodriguez.
Dirceu Bertin foi absolvido das acusações de prevaricação, advocacia administrativa e um segundo delito de violação de sigilo profissional. Foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão pela prática dos crimes de corrupção passiva e violação de sigilo funcional, e ao pagamento de 185 dias-multa. Foi decretada ainda a perda do cargo de corregedor-regional. O réu poderá recorrer em liberdade.