Marcos Chagas, Agência Brasil
BRASÍLIA - Sem uma prova consistente da suposta pressão exercida pela Casa Civil para beneficiar a empresa americana Matlyn Patterson na aquisição da Varig e da VarigLog, além das declarações da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, a oposição vai concentrar suas ações em duas frentes: a análise dos documentos deixados pela ex-dirigente e o depoimento do advogado Roberto Teixeira, na próxima quarta-feira, dia 18, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.
Os ex-dirigentes da Anac Milton Zuanazzi e Leur Lomanto negaram pressões da Casa Civil na negociação. O procurador-geral da agência, João Elídio de Lima Filho, que emitiu o parecer favorável à venda da Varig, também não confirmou ter sido pressionado.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), deu o tom da ação a ser adotada pela oposição. Segundo ele, Denise Abreu, "cartesianamente", deixou clara as supostas pressões que Roberto Teixeira teria exercido para concretizar à venda da Varig para o consórcio da Matlyn Patterson com três empresários brasileiros. O advogado tinha a empresa americana como cliente.
- Os pareceres foram mudando. O mundo foi ficando a feição do que queria o senhor. Roberto Teixeira - disse Virgílio.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) também questionou Denise Abreu sobre a proximidade de Roberto Teixeira com autoridades do governo, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele estranhou ainda o fato de Roberto Teixeira representar, na negociação empresarial, os interesses da VariLog e da Varig, além da compradora Matlyn Patterson. O próprio líder do PSB, Renato Casagrande (ES), disse que o depoimento de Denise Abreu não apresentou qualquer prova.
- Limita-se agora a uma disputa comercial. Eles [oposição] vão concentrar suas ações no depoimento do Roberto Teixeira - disse Casagrande.
O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), foi mais longe. Para ele, o assunto está encerrado, uma vez que a ex-dirigente não conseguiu qualquer prova ou testemunha que comprovasse suas denúncias de que sofreu pressões da Casa Civil.
- Eu acho que o assunto está encerrado, porque se desfez, inclusive, a acusação. Não houve pressão da ministra Dilma [Rousseff], não houve determinação do governo, a Anac agiu com autonomia - disse ele.
Jucá acrescentou que o governo fará qualquer outro tipo de esclarecimento, caso seja necessário. Ele descartou, entretanto, qualquer possibilidade de a ministra Dilma Rousseff comparecer ao Senado para dar explicações sobre o caso.
Já a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), ressaltou que todo o processo de transferência acionária teve o acompanhamento da Justiça, que não foi questionado em momento algum. O mesmo raciocínio é adotado pelo senador Aloízio Mercadante (PT-SP).
- Toda a gestão quem decidiu foi a Justiça, que não foi derrubada e nem contestada em nenhuma instância - afirmou.