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Novo ministro da Educação não teria boa vida com Weintraub

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A nomeação do professor Carlos Alberto Decotelli, 67 anos, para comandar o Ministério da Educação, é uma grande guinada do presidente Jair Bolsonaro, que emplaca o primeiro técnico na pasta. Decotelli não teria boa vida com Weintraub, que era contra o ingresso por cotas nas nas universidades, e extinguiu as cotas especiais para índios, negros e deficientes em cursos de pós-graduação.

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Jair Bolsonaro e Carlos Alberto Decotelli (Foto: Presidência da República)

Carlos Alberto Decotelli tem experiência no ramo e no próprio MEC. De 5 de fevereiro de 2019 a 28 de agosto do ano passado, Decotelli dirigiu o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), cedendo a vaga para Rodrigo Sérgio Dias. Dias esquentou a cadeira apenas até 23 de dezembro, quando cedeu o lugar a Karine Silva dos Santos. E o comando do FNDE desde 1ºde junho é de Marcelo Lopes da Ponte, indicação do PP, para fortalecer os vínculos com o Centrão.

Quando deixou o FNDE, que tem atualmente orçamento da ordem de R$ 30 bilhões, Decotelli foi comandar a Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação (Semesp). A Secretaria é responsável por fomentar o ensino direcionado às comunidades mais carentes do país, em especial às comunidades indígenas e os quilombolas. Como se vê, uma guinada de 180 graus em relação aos atos e falas de Weintraung, que disse “odiar o termo povos indígenas”. Por sinal, o ato do ex-ministro extinguindo as cotas já foi revogado.

Agora, Decatelli, financista, autor de livros e professor, vai administrar a 2ª maior verba do Orçamento Geral da União (R$ 103 bilhões), perdendo apenas para a Saúde, reforçada com os aportes para o combate da pandemia do Covid-19. Mas Decatelli, que era oficial de Marinha e depois se formou em Economia pela Uerj, fez MBA e mestrado em administração pela FGV/Ebape/Epge, e construiu uma sólida carreira em temas relacionados a finanças, administração e educação.

Ele se tornou muito próximo do ministro da Economia, Paulo Guedes, na companhia de quem, do atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e do economista Antônio de Araujo Freitas foi pioneiro no Brasil na criação dos cursos MBA Finanças no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais – Ibmec, onde atuaram juntos. O fato deve facilitar a gestão orçamentária. A experiência do Ibmec Decatelli replicou na Fundação Dom Cabral (MG) onde foi um dos professores criadores do segmento de finanças, em 1996.

No exterior ele fez pós-doutorado na Bergische Universitãt Wuppertal, na Alemanha; é doutor em administração financeira pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina sobre os temas relacionados a finanças, administração e educação. Também foi criador do curso Gestão Financeira Corporativa em Wall Street, no New York Institute of Finance. Foi depois coordenador de Finanças Corporativas Internacionais na FGV.

Se Sérgio Moro não tivesse saído do governo, seria outro companheiro de banca universitária. Decatelli foi também professor e membro da equipe de criação do curso de Pós-Graduação em Finanças na PUC-RS, juntamente com o juiz Sergio Moro e o professor Edgar Abreu. Lecionou ainda a disciplina Métodos Quantitativos Aplicados ao Design na Universidade Federal do Paraná.

Sua trajetória acadêmica pode ser comparada à do ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, que também fez curso de pós-graduação na Alemanha. Mas para tanto, precisa antes explicar a confusa licitação de R$ 3 bilhões para a compra de computadores para as escolas em sua gestão no FNDE. Uma escola municipal de Itabirito/MG receberia 30.030 laptops. Como só tinha 255 alunos, cada um seria contemplado com 117,6 equipamentos...