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País - Eleições 2018

Brasil escolhe o presidente no segundo turno com Bolsonaro como favorito

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Os brasileiros comparecem às urnas neste domingo (28) para o segundo turno das eleições presidenciais, com o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro como favorito ante o candidato de esquerda Fernando Haddad.

Bolsonaro, capitão do Exército na reserva, 63 anos, deputado desde 1991, conseguiu capitalizar a decepção e a raiva de uma população abalada por anos de recessão e estagnação, assim como cansada com os escândalos de corrupção que abalaram quase todos os partidos.

Haddad, professor e ex-prefeito de São Paulo, 55 anos, foi designado candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) em substituição a seu líder histórico, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), que cumpre desde abril uma pena de 12 anos prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

No primeiro turno, em 7 de outubro, Bolsonaro recebeu 46% dos votos e Haddad 29%.

As últimas pesquisas, divulgadas na noite de sábado (27), mostraram o candidato do Partido Social Liberal (PSL) com vantagem de oito a 10 pontos.

Haddad encurtou a distância de seu adversário nos últimos dias (em meados de outubro Bolsonaro tinha 18 pontos de vantagem sobre ele), mas a expectativa de uma eventual virada é pequena, afirmam analistas.

Mesmo assim, Bolsonaro pediu a seus seguidores para não baixarem a guarda.

"As eleições não estão ganhas. Não podemos relaxar", afirmou em um vídeo publicado no Facebook.

Haddad recebeu apoios importantes depois que Bolsonaro, um nostálgico da ditadura militar (1964-85), ameaçou seus adversários de esquerda: "Ou vão pra fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria", disse.

No local em que Bolsonaro votou, uma escola na zona oeste do Rio, soldados revistaram os eleitores e as imediações com detectores de metais, enquanto os simpatizantes o aguardavam com bandeiras do Brasil.

"A primeira mudança vai ser agora nas urnas, nós elegemos nosso capitão, depois a consequência de julgar, de varrer os corruptos, a corrupção, da política, tirar esses crápulas, esses comunistas que estão aí dentro e aí surge a mudança", afirmou Álvaro Cardoso, um trabalhador autônomo, de 55 anos.

O candidato, que em 6 de setembro quase morreu ao receber uma facada no abdômen de um ex-militante do PSOL, entrou por uma porta lateral na escola ao lado da esposa, pouco depois das 9H00, e saudou os simpatizantes com o sinal da vitória.

Em uma zona eleitoral de São Paulo, Renata Arruda, atendente de telemarketing de 41 anos, votou em Haddad e chorou ao reconhecer a missão difícil de seu candidato.

"Nunca vivi uma eleição tão polarizada. Eu acho que foi por conta do Bolsonaro ser uma pessoa muito agressiva, muito louca. Eu tenho muito medo. Meu pai e minha mãe viveram a ditadura e tenho muito medo de que volte isso", declarou.

Teresinha Kanzler Barbosa, uma advogada aposentada de Brasília, votará em Bolsonaro: "Tem que haver mudança no país. Chega de mesmice. Eu acho que o Bolsonaro é a opção de mudança e, se Deus quiser, ele vai ser um bom presidente".

O crescimento de Haddad aconteceu com base nos milhões de brasileiros beneficiados pelas políticas de inclusão social de seu padrinho político.

Mas esta identificação também trouxe consigo o índice de rejeição, já que para outros milhões de eleitores, Lula e PT são sinônimos de esquemas financeiros turvos para permanecer no poder.

Uma rejeição comparável apenas à do próprio Bolsonaro, que ao longo de seus 27 anos no Congresso ficou conhecido mais por suas declarações misóginas, racistas e homofóbicas do que por seus escassos projetos legislativos.

O estado de saúde do candidato do PSL o privou de participar de atos públicos, apesar da ativa presença nas redes sociais, sua arma favorita, sem participar de nenhum debate com seu adversário.

Bolsonaro fez campanha com propostas como liberar o porte de armas para combater a insegurança galopante ou travar uma guerra sem trégua contra a corrupção.

Do lado de Haddad, as maiores mobilizações se deram sob o lema "Ele não", organizadas por mulheres indignadas com a provável chegada ao poder de um deputado que disse à colega Maria do Rosário (PT-RS) que ela não merecia ser estuprada por ser "muito feia".

No começo do mês, uma pesquisa do Datafolha mostrou que 88% dos brasileiros se sentem inseguros no país; 79% trises com a situação do país; 78% desanimados; 68% com raiva, e 62% com medo do futuro.

Em caso de vitória, o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, tentará lançar um programa de privatizações para reduzir a dívida e reativar a economia, que vem de dois anos de recessão e mais dois de crescimento fraco.

O vencedor terá que governar com um Congresso com partidos debilitados pelos escândalos e dominado pelos lobbies conservadores do agronegócio, das igrejas evangélicas e dos defensores do porte de armas.

A votação começou às 8H00 e terminará às 19H00 (de Brasília) no estado do Acre. Os resultados devem ser conhecidos pouco mais de uma hora depois do fechamento das últimas zonas eleitorais.

O candidato eleito substituirá em 1º de janeiro de 2019 Michel Temer, o presidente mais impopular desde o retorno da democracia

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