ASSINE
search button

Fernando Haddad diz acreditar na virada

Candidato do PT atacou Bolsonaro e afirma que vai brigar até o fim

José Peres -
Ao lado de parlamentares do PT e do Psol, Fernando Haddad discursou para apoiadores em praça do Centro do Rio
Compartilhar

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, atacou seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) na manhã de ontem e disse que até o domingo do segundo turno vai “brigar por esse país”. Haddad comentou a pesquisa do Vox Populi e afirmou que sua virada é possível: “Não é tão difícil assim para quem estava com quatro pontos há um mês”, disse, em evento no Clube de Engenharia, Centro do Rio.

“Meu adversário invoca uma tradição que ele não representa. O regime militar tinha um viés nacionalista e ele é entreguista. A única herança que ele representa do regime é a truculência com quem pensa diferente. Vou até domingo da semana que vem brigar por esse país. E independentemente do resultado, espero que seja favorável a nós, não vamos abdicar de defender o Brasil”, disse.

Macaque in the trees
Ao lado de parlamentares do PT e do Psol, Fernando Haddad discursou para apoiadores em praça do Centro do Rio (Foto: José Peres)

Segundo o instituto citado pelo petista, Bolsonaro está com 53% dos votos válidos e Haddad com 47%, uma diferença de seis pontos percentuais. Já o Datafolha, divulgado na quinta-feira, afirma que o candidato do PSL lidera com 59%, a 18 pontos de Haddad (41%).

“Não é possível ele participar de um debate para tratar de assuntos tão caros à nacionalidade? Quando perguntado, delega ao Paulo Guedes, que também não responde. Ele próprio é desmentido pelo candidato. Não se sabe a quem perguntar. Não sei exatamente contra quem eu estou disputando a eleição presidencial”, afirmou o ex-prefeito de São Paulo, que chamou Bolsonaro de “covarde”.

Será a primeira eleição presidencial brasileira sem debates no 2º turno desde a redemocratização. Sem ir aos confrontos diretos com adversários, Bolsonaro deu entrevistas a duas emissoras de televisão – Band e Record – enquanto ainda estava internado e assim que foi liberado para voltar para casa. Haddad, por sua vez, tem cobrado a presença do adversário nos debates.

O candidato instou a TV Globo, a Band, o SBT e a Record a “abrir o microfone” a ele diante da recusa de Bolsonaro em participar de debates. “Era prática das emissoras abrir o espaço e deixar a cadeira vazia para quem não vai. Já fizeram isso, por que seria diferente agora? Abram o microfone que eu vou”, pediu.

Haddad voltou a criticar a proposta do adversário de armar a população e disse que há o risco de se criar um Estado miliciano no país. “É o Estado que tem que prover segurança pública. Não é armando a população e não contratando [mais polícia] que vai resolver... esse caldeirão vai piorar e aí sabe o que acontece? Vira um Estado miliciano”.

Ele criticou ainda parte da elite brasileira que vota em Bolsonaro acreditando que ele será “tutelado por generais”, caso eleito. “Todo mundo sabe quem é o Bolsonaro, mas acha que ele vai ser tutelado pelos generais, que não vão deixar ele fazer maluquices”, declarou. “Só que não é assim que acontece quando você dá uma caneta de presidente para uma pessoa com as características dele. Sobretudo no Brasil, em que as instituições não têm esse poder que pensam que têm”, defendeu o candidato, prosseguindo:

“Vejam o caso que está acontecendo com quem deveria estar atuando nas eleições e não está, por medo. Jornalista ameaçado, ministro do Supremo ameaçado. Teve general aliado do Bolsonaro que ameaçou ministro de impeachment e prisão. E as pessoas acham que vão tutelar? Não vão. A elite brasileira está cometendo um erro”, destacou.