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País - Eleições 2018

As frases explosivas e os exercícios de tolerância de Jair Bolsonaro

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À medida que aumentam suas chances de se tornar o próximo presidente da República, Jair Bolsonaro tenta transformar algumas das declarações que, ao longo de sua vida política, lhe renderam a rejeição de mulheres, negros e gays.

Em uma de suas últimas intervenções, disse que prevê governar "inclusive" para ateus e homossexuais.

Bolsonaro teve que desautorizar, por sua vez, o seu companheiro de chapa, o general da reserva Hamilton Mourão, por propostas que pretendiam passar por cima da Constituição.

Mas até agora o candidato de extrema direita não mostrou, contudo, o seu desejo de amenizar o apoio irrestrito à ditadura militar (1964-1985) seus métodos de tortura.

Veja a seguir algumas das frases que deram fama a Bolsonaro, acompanhadas, em alguns casos, de explicações com as quais tenta diminuir a carga polêmica.

 

- "O erro da ditadura foi torturar e não matar" (entrevista à rádio Jovem Pan em junho de 2016)

- Na sessão da Câmara dos Deputados de abril de 2016, que votou a favor de um julgamento de destituição da então presidente Dilma Rousseff, que foi torturada pelos militares, Bolsonaro dedicou seu voto ao falecido coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi - serviços de Inteligência e repressão da ditadura - acusado de, pelo menos, seis assassinatos sob tortura.

"Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff (...), o meu voto é sim!", proclamou Bolsonaro.

 

- "Eu fui num quilombola em Eldorado Paulista, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem pra procriador servem mais" (discurso feito em abril de 2017 no Clube Hebraica do Rio de Janeiro).

- Em 11 de outubro, em uma entrevista à rádio CBN, Bolsonaro declarou que se chegar ao governo, um homem estará à frente do Ministério da Defesa, mas que "o resto pode ter gays, mulheres e afrodescendentes" como ministros.

 

- "Eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? 'Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade...' (...) Quem que vai pagar a conta? O empregador. No final, ele abate no INSS, mas quebrou o ritmo de trabalho. Quando ela voltar, vai ter mais um mês de férias, ou seja, ela trabalhou cinco meses em um ano" (entrevista ao jornal Zero Hora, em dezembro de 2014).

- Depois de dizer à deputada federal pelo PT-RS Maria do Rosário que "não te estupro porque você não merece", Bolsonaro explicou em dezembro de 2014 ao jornal Zero Hora: "Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque não merece".

- Em 25 de agosto, tuitou: "Não sou homofóbico. Não acho que ninguém deve ser estuprado. Não defendo que mulher deve ganhar menos. Não sou racista".

 

- "Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo" (entrevista à revista Playboy em junho de 2011).

- Em uma transmissão ao vivo pelo Facebook em 6 de outubro, Bolsonaro declarou: "Nós vamos fazer um governo para todos, independente de religião. Até quem é ateu. Vamos fazer um governo para todo mundo. Para os gays, e inclusive tem gay que é pai, que é mãe".

 

- Em 13 de setembro, seu candidato a vice, general Hamilton Mourão, propôs fazer uma nova Constituição passando por cima do Congresso. "Fazemos um conselho de notáveis e, depois, submetemos a plebiscito. Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo".

- Em 8 de outubro, Bolsonaro rejeitou essa proposta: "Jamais eu posso admitir uma nova Constituinte, até por falta de poderes para tal. Se estamos disputando a eleição, é porque acreditamos no voto popular e seremos escravos da Constituição".

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