Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Mulheres na rua contra candidato do PSL

Movimento #EleNão realiza manifestações hoje em todo o país

Jornal do Brasil EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

Uma onda lilás promete invadir as principais capitais e outras cidades do Brasil neste sábado, a partir das 15h, contra a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente da República. O movimento #EleNão, que foi iniciado pela comunidade do facebook Mulheres Unidas Contra o Bolsonaro, hoje com mais de 3 milhões de participantes, ultrapassou as fronteiras do Brasil, com a realização de passeatas previstas nos Estados Unidos, Argentina e Portugal.

A uma semana das eleições, o movimento atingiu dimensão suprapartidária, com a participação de políticos, artistas e intelectuais vinculados a diferentes colorações partidárias. O presidenciável Ciro Gomes (PDT), convalescente após uma cirurgia na próstata, divulgou ontem um vídeo no qual diz que está ali para “orientar toda nossa militância a reforçar esse movimento histórico que as mulheres brasileiras vão fazer para defender o Brasil do retrocesso, do preconceito, da violência, de apologistas da tortura”.

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Estrelas internacionais, como Madonna, apoiaram o movimento (Foto: Reprodução)

Geraldo Alckmin, que concorre à Presidência pelo PSDB, também utilizou a hashtag para apregoar o voto contra a Bolsonaro. “Ele não. Décimo terceiro sim”, disse ontem em discurso, fazendo referência à fala do candidato a vice-presidente pelo PSL, general Hamilton Mourão, contrário ao 13º salário. O tucano já havia usado a hashtag em seus programas de rádio e televisão.

Ana Estela, mulher do presidenciável Fernando Haddad (PT), divulgou vídeo onde enumera as razões para as mulheres irem às passeatas: “Hashtag EleNão porque a gente quer mais democracia, e não menos; porque a gente quer mais direitos, e não menos; porque a gente quer avanços na nossa sociedade, e não retrocessos; Elenão porque a gente quer mais amor, e não ódio”, diz ela no vídeo.

Nas redes sociais, o movimento ganhou a adesão de estrelas internacionais da grandeza das cantoras americanas Madonna e Cher. No Instagram, Madonna publicou uma foto em que ela mesma aparece amordaçada com uma fita onde está escrito “liberdade”. No alto do card está a hashtag EleNão e no pé, uma outra hashtage, em inglês, com o apelo “fim ao fascismo”.

No Twitter, Cher comparou o candidato ao presidente americano. “Infelizmente o Brasil está enfrentando o seu próprio Trump. Um candidato homofóbico e racista está liderando as campanhas. Significaria muito se todos nós pudéssemos compartilhar essa #EleNão para apoiar essa campanha”.

Antes delas, outras celebridades já haviam se manifestado em favor da campanha brasileira. Primeiro, a cantora inglesa Dua Lipa replicou a mensagem do jornalista Peter Meiszner, que também comparava Bolsonaro ao presidente americano. “E você achava que o Trump era ruim. Ele (Bolsonaro) disse que preferia ter um filho morto do que gay. E, em frente às câmeras de TV, disse a uma deputada que não a estupraria por ela ser feia’. O Brasil está flertando com o retorno de dias sombrios”.

A atriz Ellen Page, disse que havia entrevistado o candidato dois anos atrás, e o qualificou como “perigoso, homofóbico, racista e misógino”. No Brasil, é incontável o número de artistas que espalharam mensagens de apoio ao movimento.

As mulheres representam 52% do eleitorado. Segundo a pesquisa CNI/Ibope o índice de rejeição ao deputado do PSL é de 50% entre as mulheres.



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