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País - Eleições 2018

Invalidação da candidatura de Lula obriga o PT a redefinir sua campanha

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A invalidação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva deixou o PT diante do dilema de prosseguir com o nome do ex-presidente preso ou designar Fernando Haddad, seu candidato a vice, para substituí-lo nas eleições de outubro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) invalidou a candidatura de Lula após uma sessão de mais de oito horas, que terminou na madrugada de sábado.

Os juízes do TSE adotaram a decisão por seis votos contra um, poucas horas antes do início da campanha à presidência no rádio e na televisão, que pode ser decisiva para o resultado nas urnas.

O TSE proibiu atos de campanha por Lula, ordenou a retirada de seu nome das urnas eletrônicas e deu prazo ao PT até 12 de setembro para definir um substituto.

A primeira reação do PT foi de desafio.

"Diante da violência cometida hoje pelo Tribunal Superior Eleitoral contra os direitos de Lula e do povo que quer elegê-lo presidente da República, o Partido dos Trabalhadores afirma que continuará lutando por todos os meios para garantir sua candidatura nas eleições de 7 de outubro", afirma um comunicado do partido.

"Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Vamos defender Lula nas ruas, junto com o povo, porque ele é o candidato da esperança", completa.

Dentro do PT, as vozes preocupadas com o pouco tempo de campanha para as eleições podem ser ouvidas.

Se Haddad for designado candidato à presidência, sua companheira de chapa será Manuela D'Ávila, do PCdoB, segundo um acordo entre os partidos.

Haddad afirmou que na segunda-feira visitará Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre desde abril uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. No mesmo dia participará de comícios em Porto Alegre.

Lula, 72 anos, foi declarado culpado em julho de 2017 de beneficiar-se de um apartamento no Guarujá (São Paulo) que, segundo a acusação, teria sido pago por uma empreiteira em troca da mediação para a obtenção de contratos com a Petrobras. A condenação foi ratificada e ampliada em janeiro deste ano por um tribunal de apelação.

Lula foi condenado em aplicação à lei da "Ficha Limpa", promulgada durante sua presidência, que impede um condenado em segunda instância a disputar cargos eleitorais.

Seus defensores afirmavam que um recente pedido da Comissão de Direitos Humanos da ONU para que o Brasil "tome todas as medidas necessárias para assegurar que Lula possa exercer, enquanto está na prisão, os seus direitos políticos como candidato na eleição presidencial de 2018", tem caráter vinculante.

Uma pesquisa Datafolha atribuiu a Lula na semana passada 39% das intenções de voto, 20 pontos a mais do que o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, em segundo lugar. A pesquisa também indicou que Lula derrotaria qualquer adversário em um possível segundo turno.

Sem o nome de Lula, Bolsonaro iria ao segundo turno com Marina Silva, ambientalista e ex-ministra de Lula, mas que pode enfrentar problemas pelo pouco tempo que terá na propaganda de rádio e televisão.

Marina Silva declarou que "a partir da decisão do TSE o processo eleitoral poderá seguir seu curso legal (...), mas a justiça tem que alcançar ainda todos os que cometeram crimes e ainda estão protegidos pelo manto da impunidade dos foros especiais" de que gozam ministros e legisladores".



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