Que venha 2021!

O que falar deste ano?

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É chegado o fim do ano, o final de mais um ciclo. Um fim que traz consigo um alento e uma esperança. O término de uma batalha, o desfecho de uma guerra. Não que a virada do calendário possa por si só transformar realidades, mas traz um renovo inegável.

O que falar deste ano? Começou com tantas perspectivas, tantas novidades e atenções. Na China a covid-19 já tinha despontado. Será que vai chegar por aqui? E se chegar, vem com que força? Essas eram as indagações de muitos...

A covid-19 chegou no Brasil com apenas um caso em fevereiro e agora em dezembro já são mais de 185.000 mortos. O Presidente da República não acreditou na gravidade da doença, disse que era uma gripezinha, convivemos com um “e daí” como resposta ao andamento da crise e ao aumento do número de mortos, o desincentivo ao uso da máscara, a saída de 2 ministros da saúde, a corrida as farmácias em busca da hidroxicloroquina, a expectativa do auxílio emergencial, até que, apesar de ser um negacionista dos riscos que nos cercavam, o próprio chefe de estado pegou a doença, juntamente com alguns da sua equipe. Felizmente venceram o vírus, mas e o Brasil? Está vencendo essa guerra?

O desemprego atingiu recorde histórico com o índice de 14,6% no encerramento do trimestre em setembro. Os valores são ainda mais assustadores quando analisamos as diferenças entre o desemprego dos homens versus das mulheres, e dos brancos versus dos negros. As mulheres e os negros continuam sendo mais atingidos por questões estruturais.

Economistas do mercado financeiro projetam queda de 4,66% do PIB e a inflação, muito sentida pelos consumidores principalmente nos supermercados em função do aumento dos preços dos alimentos, atingiu o valor de 3,13% no acumulado do ano até novembro e 4,31% em 12 meses.

O mundo que por vários é entendido como mundo VUCA (acrônimo em inglês criado na década de 80 em função dos acontecimentos da época, como por exemplo a queda do muro de Berlin), vulnerável, incerto, complexo e ambíguo, passou a ser chamado de mundo BANI (acrônimo também em inglês para as palavras brettle, anxious, non linear e incomprehensible), que em português seria, frágil, ansioso, não linear e incompreensível.

O mundo é frágil a um ataque de um vírus, ansioso por sua incapacidade de controlar os fatos, não linear e incompreensível porque obviamente ainda “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”, como muito bem já definiu William Shakespeare.

No entanto somos o povo que “não desiste nunca”, continuamos a lutar. Quais serão as melhores estratégias? A ideia mais favorável é aproveitarmos as armas disponíveis e potencializá-las.

Seguem alguns exemplos de como podemos reagir. Atualmente estão sendo disponibilizados vários cursos online gratuitos. Diversas instituições de ensino, plataformas de aprendizagem, vídeos educativos; é possível investir no próprio crescimento profissional sem sair de casa. Precisamos entender que somos gestores da nossa carreira, devemos investir nela.

Outra estratégia interessante é procurar uma segunda renda. Revenda de produtos, prestação de serviços, trabalhos freelancer. Não é o ideal ter uma única fonte de renda em um cenário tão incerto e inconstante.
Seguindo na estrada das alternativas, reflito sobre o Ser resiliente. Em certa medida todos nós seres humanos somos resilientes, contudo, melhor que ser resiliente é ser antifrágil, que de uma forma geral pode ser definido como uma característica daqueles que aprendem e crescem com os dissabores e reveses da vida.

Uma outra característica fundamental para o nosso tempo é a agilidade, faz-se necessário tomar decisões de forma rápida, como diriam os antigos, “não podemos perder o bonde”. O bonde atualmente pode ser uma promoção da Black Friday que aparece no seu celular, ou você clica e compra ou então terá que esperar o próximo ano. Aproveitar oportunidades é um excelente antídoto contra a prostração e o desânimo, assim como sempre haverá novo amanhecer, sempre haverá oportunidades, não as desperdiça-las fará toda diferença.

Por fim, como última recomendação em termos de estratégia, faça networking. O networking efetivo é todo aquele que não demonstra intencionalidade e sim procura potencializar oportunidades. Crie ou frequente grupos de interesses comuns, contribua com sugestões interessantes e cultive seus relacionamentos.
Um dado interessante publicado pela Robert Hall, empresa global de consultoria de recursos humanos, a respeito do networking é que 4% de networking efetivo determinam 64% da receita de uma boa empresa. Segundo a mesma consultoria, todas as empresas que crescem praticam um networking efetivo.

O ano 2021 está chegando e com ele novas possibilidades. A vacina contra a covid-19 chegará ao Brasil, a economia vai reagir, haverá projetos interessantes, principalmente nas áreas de responsabilidades ESG (sigla em inglês para environment, social and governance), em português, ambiental, social e governança e os investidores voltarão a investir, preferencialmente em empresas com princípios, propósitos e valores compartilhados. Torcemos para que as tão necessárias melhorias na educação, saúde e infraestrutura também aconteçam.

Como diz o provérbio bíblico: “Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão”. Temos semeado com lágrimas, haveremos de colher os frutos da nossa perseverança.

Feliz 2021, Brasil!

Cristiana Aguiar. Economista, Sócia-fundadora da empresa Jeito Certo Consultoria, Conselheira no Conselho Empresarial de Governança e Compliance da Associação Comercial do Rio de Janeiro, articulista.