O recado das urnas foi dado

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Terminada a eleição mais atípica das ultimas décadas, não apenas devido à pandemia, mas também pela apatia e descrença de grande parte do eleitor (como vem mostrando o crescimento da abstenção), os analistas de primeira hora já opinaram que, no quadro geral, o eleitor brasileiro deu um chute na traseira dos radicais de qualquer lado.

No Rio de Janeiro, mais precisamente, isto ficou bem claro, com o despacho que o alcunhado "Zé Pilintra", Eduardo Paes, impôs ao pastor que, na reta final da campanha, mostrou muito bem que o fel do ódio lhe amarga a boca e que o mandamento sobre "não levantarás falso testemunho, nem mentirás" foi por ele esquecido, quando afirmou que seu adversário era a favor do aborto e que também iria implantar o "kit gay" nas escolas. Sua derrota mostra também que o eleitor já não cai mais no conto do vigário, quer dizer...do pastor, com suas fake news.

O que se pode perceber com o resultado da maioria das grandes cidades é que o cidadão comum já não se deixou levar pelo discurso do "bem" contra o "mal", que deu certo em 2018 mas não colou em 2020. O eleitor tem demonstrado que deseja mais resultados e menos discursos que lhe agradam os ouvidos.

E este "recado" do eleitor de 2020 deve sim servir de parâmetro e farol para 2022. O prefeito Crivella não conseguiu carimbar uma boa marca de gestor público nos seus quatro anos. Vai ter de começar tudo de novo, estudar mais, ouvir mais, descer do púlpito mais. Além de ter a humildade de reconhecer erros e mudar de rota para tentar acertar. O que pouco ou nada praticou nos seus quatro anos de síndico da Cidade Maravilhosa.

Resta agora aos seguidores e admiradores do presidente Bolsonaro torcer para que este entenda que não basta ficar tentando apenas agradar seus admiradores. Isto seu afilhado político Crivella fez e não deu certo por aqui. A maioria dos cariocas deu-lhe um ponta pé nos fundilhos, mesmo com parte dos que o defenestraram assumindo que escolheu o "menos ruim".

Mas talvez não precisemos esperar até 2022 para percebermos mudanças de comportamento dos líderes políticos que almejam ainda estar bem na foto até lá. O discurso, as atitudes e os resultados de gestão estarão no foco durante dois anos. Principalmente em relação ao presidente Bolsonaro, que, em dois anos de mandato, ainda não desceu do palanque nos ataques aos adversários, mas ainda tem outro biênio para tentar fazer o que não fez até aqui: tão somente administrar e apresentar resultados.

O eleitor de 2022, com certeza, já não pensará e nem agirá da mesma forma que o de 2018 e 2020. E também, provavelmente, assim como já foi agora, chegaremos lá com menos força ainda para as "fake news".

Cleyber Fintelman, jornalista - membro eleito do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Imprensa.