O futuro das empresas

O futuro das empresas estaria na possível reversão para unidades menores por um único motivo: somente unidades menores têm a capacidade de manter um vínculo entre pessoas

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Numa sociedade onde as redes substituem as estruturas, a produção contínua de novas ofertas é indispensável para manter a velocidade de circulação de bens e serviços, e assim reacender o desejo de substituí-los por novos. É a quantidade de conexões, mais do que sua qualidade, que faz diferença. Premissas e estratégias já testadas não mais dão conta da realidade.

O caráter substancialmente imprevisível das transformações desafia pressuposto fundamental da educação: a necessidade e o benefício da transmissão do conhecimento. Assim, atribuir importância às informações mais diversas e, sobretudo, atribuir maior importância a umas que a outras talvez seja hoje a tarefa mais desconcertante e desafiadora que enfrentamos.

Ao avaliar estratégias alternativas, perguntamos qual é o impacto de curto prazo. Em meio ao turbilhão de mudanças, parece atraente o conhecimento criado para usar e jogar fora. Percebemos, no entanto, que aquelas mudanças especialmente associadas è redução generalizada de custos de transação não conduzem necessariamente a melhores alocações de recursos.

Nesse processo não aprendemos muito além da necessidade de estar preparados para outras situações precárias, que começam a se desfazer no momento em que são apreendidas. À medida que tecnologias avançam, nenhuma empresa sozinha tem a capacidade e os conhecimentos necessários para levar produtos e soluções ao mercado de forma eficaz na hora certa.

A integração competitiva nos mercados globais tem revelado que vínculos sociais sólidos entre empresa e seu meio social alavancam diferenciais fundamentais de produtividade. Mediante a adoção de regras em que todos ganhem através de uma adequação entre competição e cooperação capaz de rejeitar a dicotomia entre interesses econômicos e questões sociais.

Compreender uma problema significa realmente compreender suas dificuldades, e compreender suas dificuldades significa compreender porque ele não é solucionável facilmente. Hoje as realidades que nos cercam são relativas, diferente das concepções cartesianas e mecanicistas vigentes antes do advento da física quântica e da relatividade, bases da ciência moderna.

Reduzem-se grandes decisões tomadas no nível mais elevado e multiplicam-se pequenas decisões descentralizadas. Esta diretriz permite realizar avaliação precisa das restrições ambientais e dos recursos necessários para alcanças os objetivos. Assim que a estabilidade das organizações dependerá cada vez mais da maneira como as mudanças forem difundidas.

O futuro das empresas estaria na possível reversão para unidades menores por um único motivo: somente unidades menores têm a capacidade de manter um vínculo entre pessoas. A comunidade é um dos mais poderosos e ainda assim mais frágeis conceito no desenvolvimento das empresas. Vemos à nossa volta todos os dias uma constante erosão da comunidade.

*Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)