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Reflexões sobre o amor em meio à pandemia

Jornal do Brasil GUILHERME FAINBERG, redacao@jb.com.br

Macaque in the trees
Dr.Guilherme Fainberg , médico psicanalista (Foto: Divulgação)
O perdão é algo individual, assim como a verdade o é.

A gratidão é um bem, que ao se dividir, multiplica em ganhos reais, a felicidade que dela partilham.

No amor, nem sempre nem nunca. Ao contemplarmos os olhos de dois apaixonados, vemos claramente um brilho diferente. Esta diferença se impõe ainda mais se ambos se conhecem pouco, porque como diria o poeta Caetano: "de perto ninguém é normal”.

A paixão contraria a norma. Ela se eleva e carrega consigo os enamorados, pela idealização de ambos. “Para se estar junto, não é necessário estar perto, e sim do lado de dentro”.

Para se estar apaixonado portanto, é necessário perder-se um pouquinho. Nesse caminho tortuoso, sinais irão bater à porta, denunciando a tal normalidade do par, mas pouco importa aos enebriados, eles querem mais.

Sedentos e buscando cada vez mais deste sentimento, irão residir um dentro do outro, e ninguém em canto algum.

Nesta dança, perde primeiro quem não se distrair, aquele que não puder mais aguentar de tanto: tantos.

Na realidade,o que buscamos na vida, não é um encontro, mas um Re-encontro com algo que foi deixado (esquecido) no passado, parte do nosso narcisismo e que reencontramos cada vez que insistimos com a ideia de que é possível ser feliz sozinho mas ainda é melhor acompanhado.

Guilherme Fainberg é médico psicanalista