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Em acontecimentos ou circunstâncias decisivos

Jornal do Brasil TARCISIO PADILHA JUNIOR, tarcisiopadilhajunior@yahoo.com.br

Modernidade se caracteriza pelo reconhecimento de que ciência e tecnologia criam novos parâmetros de risco e perigo, ao mesmo tempo em que oferecem possibilidades benéficas para a humanidade. Aceitar o risco é reconhecer que nenhuma ação pode seguir curso predestinado.

A vida sempre foi negócio arriscado, cercado de perigos; no entanto, a vida moderna introduz novas formas de perigo por enfrentar. Significa viver com uma atitude calculista em relação às possibilidades de ação, positivas e negativas, com que somos continuamente confrontados.

A capacidade de agir ou pensar de maneira inovadora em relação aos modos de atividade preestabelecidos é essencialmente criativa. Onde os indivíduos não podem viver criativamente, por conta da simples repetição de rotinas, provavelmente os problemas vão se multiplicar.

Pensar para frente, antecipar possibilidades futuras em relação à ação presente, pesar os cursos de ação alternativos em termos de consideração de futuros prováveis geram a autocompreensão necessária para construir trajetória de vida de acordo com desejos íntimos.

A modernidade confronta o indivíduo com uma complexa variedade de escolhas, ao mesmo tempo oferece pouca ajuda sobre opções que devem ser selecionadas. Falar de multiplicidade de escolhas não é o mesmo que supor que todas as escolhas estão abertas para todos.

Os ambientes da vida social moderna são diversificados e segmentados, com uma diferenciação entre os domínios público e privado. Como o indivíduo se move entre ambientes e locais diversos na vida cotidiana, algumas situações podem pôr em questão o estilo de vida.

A postura, fortemente influenciada pela pluralização dos ambientes, determina como a aparência é usada pelos indivíduos dentro dos ambientes genéricos das atividades cotidianas. Daí ajustarem postura e aparência de acordo como percebem demandas de um ambiente particular.

Em acontecimentos ou circunstâncias decisivos, como agora, somos chamados a tomar decisões que têm consequências para nossas aspirações.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)