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A alma do negócio

Jornal do Brasil CRISTIANA AGUIAR, cristiana.aguiarjc@gmail.com

Há cerca de 3 anos viralizou na internet uma brincadeira chamando a atenção das pessoas a respeito de serem comparadas a uma raiz ou a uma nutella. A ideia era basicamente definir a diferença entre pessoas ou instituições que tivessem convicções e atitudes mais enraizadas, ditas a moda antiga ou atitudes mais modernas, chamadas gourmerizadas, alicerçadas em modinhas passageiras, transmitindo uma concepção implícita de mais forte ou mais fraco.

Interessante pensar que grande parte das pessoas preferem ser comparadas a raízes, no entanto, o mercado tem convergido para uma demanda incrivelmente inclinada para "nutellas".

Existe uma preocupação exacerbada com a aparência, os moldes, as conveniências e os mimos. Cabe lembrar que há espaço para tudo isso, porém é necessário medir as proporções.

Qual o perigo de nos perdermos na embalagem? O perigo de minizarmos o conteúdo.

Frequentemente em minhas consultorias vejo uma preocupação muito grande com o invólucro, enquanto que na verdade faltam projeções de metas para o longo prazo, levando em consideração as fases cíclicas do mercado, branstorming para explorar a capacidade criativa de cada colaborador, benchmark para comparar produtos, serviços e práticas de empresas de um mesmo setor, entre outros.

Faltam estudos de viabilidade, análises de processos, planejamento estratégico e muitas outras análises que alavancam a gestão de um negócio.

Temos inúmeras ferramentas: design de conversas, OKR, marketing digital, porém muito embora todas essas ferramentas nos estejam disponíveis, elas dificilmente cumprirão integralmente suas funções sem o direcionamento correto.

É preciso know- how para dominar a aplicabilidade de cada uma delas de acordo com a necessidade, o momento, a vivência e direção que cada organização deseja seguir.

Levando em consideração um problema básico da economia onde dita-se que os desejos são infinitos e os recursos são escassos, temos como papel de grande relevância as consultorias em gestão, que irão indicar quanto, como e onde deve-se aplicar os recursos, com o intuito de obter-se o maior ganho possível em um dado período de tempo.

A consultoria precisa não apenas diagnosticar problemas, mas fundamentalmente elaborar e propor soluções para que sejam alcançados os resultados pretendidos, reduzindo riscos, melhorando processos, constantemente investindo em pessoas e inovação.

Empresas bem-sucedidas tem alocado seu capital de modo a otimizar o lucro. Uma boa gestão dos recursos humanos, cortes de custos de tributação indevida, negociações eficientes com fornecedores e um brilhante atendimento aos clientes são consideradas ótimas estratégias.

Um setor no Brasil que tem tido bons resultados é a indústria de alimentos. As vendas cresceram em 2019, 2,3%, melhor resultado desde 2013. O faturamento avançou cerca de 7%, totalizando um montante em torno de R$ 700 bilhões de reais. Muito desse crescimento se dá em função das exportações de carne para China e eu destacaria também a atenção dos produtores as inclinações do mercado quanto a demanda por produtos industrializados, como por exemplo, sucos engarrafados, e também produtos sem açúcares.

Importante ressaltar que corremos o risco, com o avanço da cultura do triunfalismo, de gerenciarmos mal as nossas metas de médio e longo prazo. Preocupados em ganhar as batalhas diárias, podemos perder a guerra, em um mercado tão recheado de efeitos especiais, cores e mutações. Perdendo a guerra, nos perdemos dos sonhos que nos fizeram avançar, perdemos a direção, podendo assim, perder a alma do negócio!

Cristiana Aguiar é Economista, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, especialização em Gestão de Pessoas e Equipes pela PUC – RJ, conselheira do Conselho Empresarial de Governança e Compliance da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ e autora de diversos artigos publicados.