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Jovens com raízes

Jornal do Brasil PADRE OMAR, redacao@jb.com.br

Todos nós conhecemos aquelas árvores grandes e belas, que elevam os seus ramos sempre mais alto para o céu e parecem fonte de esperança. Porém, depois de uma tempestade, elas estão caídas, sem vida, pois estenderam os seus ramos sem se enraizar bem na terra e, por ter poucas raízes, sucumbiram as catástrofes da natureza.

 

Desta forma, devemos nos preocupar com os jovens que constroem um futuro sem raízes, como se o mundo começasse agora. Eles não estão preparados para as intempéries da vida. É impossível uma pessoa crescer, se não possui raízes fortes que a ajudem a estar firme de pé e agarrada à terra. É fácil extraviar-se, quando não temos onde nos firmar.

 

Compreender isto nos permite distinguir entre a alegria da juventude e um falso culto à jovialidade. Muitas pessoas querem jovens vazios, desenraizados, para se submeterem aos seus planos. Assim procedem as ideologias de variadas formas, que destroem (ou desconstroem) tudo o que for diferente. Para isso, precisam de jovens que desprezem a história, rejeitem a riqueza espiritual e humana que foi transmitida através das gerações.

 

O corpo jovem se torna o símbolo deste novo culto e, consequentemente, tudo o que tenha a ver com este corpo é idolatrado e desejado sem limites, enquanto o que não for jovem é olhado com desprezo. Mas é uma arma que acaba por degradar os jovens, esvaziando-os de valores reais.

 

Os jovens não podem permitir que usem a sua juventude para promover uma vida superficial, que confunde beleza com aparência. Na semana passada o Papa Francisco falou sobre a “riqueza dos anos” como um tesouro precioso que se forma ao longo da vida de cada homem e mulher, qualquer que seja a sua origem, a sua proveniência, as suas condições econômicas ou sociais. Pois a vida é um dom, e quando é longa é um privilégio, para si e para os outros.

 

Há beleza no trabalhador que volta para casa cansado e desalinhado, mas com a alegria de ter ganho o pão para os seus filhos. Há beleza na comunhão da família reunida ao redor da mesa e no pão partilhado com generosidade, ainda que a mesa seja pobre. Há beleza na esposa mal penteada e já idosa, que continua a cuidar do seu marido doente, para além das suas forças. Há beleza na fidelidade dos casais que se amam mesmo com as dificuldades da vida, naqueles velhinhos que caminham de mãos dadas. Há beleza para além da aparência ou da estética imposta pela moda, em cada homem e cada mulher que vive com amor.

 

Atualmente, além das estratégias do falso culto da juventude e da aparência, muitos promovem uma espiritualidade sem Deus, uma afetividade sem comunidade nem compromisso com os que sofrem, e uma série de ofertas que pretendem fazer os jovens acreditarem em um futuro paradisíaco que sempre será adiado para mais tarde.

 

Devemos oferecer para os jovens um outro caminho, feito de liberdade, entusiasmo, criatividade, novos horizontes, mas ao mesmo tempo cultivando as raízes que nutrem e sustentam. Que a partir destas raízes os jovens possam crescer, florescer e frutificar!



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