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Não podemos deixar de investir

Jornal do Brasil CRISTIANA AGUIAR, cristiana.aguiarjc@gmail.com

Conversando com um amigo na academia, ele me disse que se esforçava muito em se exercitar, para ter um ganho cada vez menor, em função do avanço de sua idade. A pergunta subjetiva é: vale a pena investir? Em que devemos investir?

 

Recentemente um dos papéis da Ibovespa caiu 10,60% em uma manhã, em função da declaração de uma das gestoras da empresa que informava uma disparidade entre os lucros contábeis divulgados e os reportados nas demonstrações financeiras.

 

Muito embora a empresa tenha se pronunciado, imediatamente, divulgando seu critério e processo de governança, as dúvidas e informações contraditórias fizeram os investidores decidirem pela venda dos papéis.

 

Sabe-se que investidores estrangeiros não têm demonstrado tanto apetite pelas ações das empresas brasileiras, o mesmo não se aplica quando se trata de títulos de dívidas de companhias domésticas, os quais mostraram força total em janeiro.

Teria sido uma estratégia?

 

O ministro da economia resolveu como uma de suas estratégias adotar medidas que poderíamos chamar não-keynesianas, ou seja, diminuir o "tamanho" do Estado.

 

Muitos criticam, porque diminuir a parcela de investimento pertencente ao Governo afeta o bem-estar da população, e isso aliado a incerteza política pode colaborar com uma retração ainda maior dos investimentos privados. Contudo, economia é como um jogo de xadrez, os que estão de fora por vezes não concordam ou não entendem a jogada, mas se o jogador tiver uma boa estratégia, ele vence o jogo.

 

Em se tratando de política monetária, a estratégia do Governo tem sido juros baixos. A estimativa dos economistas para Selic no fim do ano permanece em 4,25% e vai para 6% em 2021.

 

O fluxo cambial em janeiro registrou um desempenho parecido com o do mesmo período em 2019, ano marcado pela maior saída de dólares do país na série histórica do Bacen, iniciada na década de 80. Apesar disso, a expectativa é que o fluxo não seja tão negativo quanto no último ano e seja beneficiado pelo cenário de um crescimento econômico um pouco mais acelerado.

 

A projeção para IPCA em 2020 teve a 5ª queda seguida, passando para 3,40%. A meta de inflação almejada pelo BC é de 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022.

 

A projeção para o crescimento este ano continua em torno de 2,30%. A projeção de crescimento do PIB em 2021 permanece em 2,50%. Os dados oficiais calculados pelo IBGE serão divulgados dia 4 de março. Até esta data, eventuais mudanças podem ser informadas por meio do sistema de expectativas de mercado.

 

No Setor industrial houve um crescimento da indústria de transformação. A indústria de bens de consumo duráveis e semiduráveis ficou estável, e a de bens de capital seguiu em declínio.

 

Voltando aos investimentos, se devemos ou não investir, em que e como investir, dependerá de uma estratégia de médio e/ou longo prazo. Por vezes um investimento pode ser excelente para uma determinada estratégia e ao mesmo tempo péssima para outra.

 

Um fator importante é investir com responsabilidade. Podemos considerar responsabilidade como a habilidade em dar respostas. Respostas precisam ter como primícias valores e princípios ao invés de sentimentos. Ao pensar em investir, comece deixando um pouco o sentimento e focando no resultado que pretende alcançar. Especialistas indicam que a melhor forma de ter saúde financeira é não ter uma relação sentimental com o dinheiro, ter objetivos claros e alcançáveis.

 

Para investir, não é necessário ter muito dinheiro. Uma empresa, por exemplo, criou o conceito do micro investimento para entrar no mercado das finanças pessoais, e permite investimentos de apenas R$ 1,00 (um real). O aplicativo de micro investimentos tem ajudado os brasileiros a economizar, uma espécie de “porquinho digital”, fomentando a cultura do investimento.

 

Um passo imprescindível é a implementação da educação financeira nas escolas, a qual seria grande aliada para elevar o nível de investimento nacional.

 

No mais, uma boa dose de disciplina e equilíbrio, aliados ao planejamento do orçamento e controle das dívidas, acarretará uma vida financeira saudável, propiciando então uma reserva e consequentemente investimento.

 

Ouso dizer que não existe saúde financeira sem investimentos. Que tenhamos sabedoria; essencial para preservar o dinheiro e fundamental à vida.

 

Quanto a resposta ao amigo, investirmos no corpo, é evidente que devemos. Exercício físico também é saúde!

Cristiana Aguiar é economista, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, tem especialização em Gestão de Pessoas e Equipes pela PUC – RJ, é membro do Conselho Empresarial de Governança e Compliance da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ e autora de diversos artigos publicados.