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Conversão ecológica: um caminho para a paz

Jornal do Brasil PADRE OMAR, redacao@jb.com.br

A paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança; ela é desejo de toda a humanidade. Já é tradição o Papa escrever uma mensagem para o Dia Mundial da Paz, celebrado no primeiro dia do ano. Para 2020, o Papa Francisco falou sobre a paz como caminho da esperança, e propôs uma conversão ecológica.

Percorrer um caminho de paz é um desafio complexo, pois os interesses em jogo, nas relações entre as pessoas, nas comunidades e nas nações, são múltiplos e contraditórios. É preciso, antes de mais nada, fazer apelo à consciência moral e à vontade pessoal.

O mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhos, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações. A paz é uma construção, um caminho que percorremos juntos procurando sempre o bem comum e nos comprometendo a respeitar o outro.

Em sua mensagem o Papa vai além, e nos pede uma verdadeira conversão ecológica. Isso porque a falta de respeito pela casa comum e a exploração abusiva dos recursos naturais – considerados como instrumentos úteis apenas para o lucro, sem respeito pelas comunidades locais, pelo bem comum e pela natureza – está causando sérias consequências.

O Sínodo recente sobre a Amazónia nos mostrou que devemos buscar uma relação pacífica entre as comunidades e a terra, entre o presente e a memória, entre as experiências e as esperanças.

Este caminho de reconciliação inclui também escuta e contemplação do mundo que nos foi dado por Deus, para fazermos dele a nossa casa comum. De fato, os recursos naturais, as numerosas formas de vida e a própria Terra nos foram confiados para serem cultivados também para as gerações futuras, com a participação responsável de cada um.

Neste ano que se inicia devemos nos comprometer a um novo modo de habitar na casa comum, de convivermos uns com os outros, de celebrar e respeitar a vida recebida e partilhada, de nos preocuparmos com condições e modelos de sociedade que favoreçam a permanência da vida no futuro, de desenvolver o bem comum.

Em 2019, tivemos uma experiência muito positiva na Paróquia São José da Lagoa, que pode ser feita por todas as pessoas. Um gesto simples, mas que cria uma nova educação ambiental. Na Igreja recolhemos tampinhas de plásticos, que seriam jogadas fora. Elas são vendidas para empresas de material reciclável e o dinheiro é revertido para a compra de cadeiras de rodas aos pacientes que estão na fila da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação do Rio de Janeiro. Já foram 150 cadeiras doadas!

São pequenas atitudes que geram essa conversão ecológica a que o Papa nos pede. Ela nos leva a uma nova perspectiva sobre a vida, considerando a generosidade de Deus que nos deu a Terra. Esta conversão deve ser entendida de maneira integral, como uma transformação das relações que mantemos com os outros seres vivos, com a criação na sua riquíssima variedade, com o Criador que é origem de toda a vida.

Vamos nos comprometer mais e cuidar melhor de tudo o que temos. Um feliz 2020, cheio de esperança e de paz!