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Esporte e turismo: o caso das corridas de rua

Jornal do Brasil CARLOS HENRIQUE DE VASCONCELLOS RIBEIRO, redacao@jb.com.br

Se a corrida fosse um item agrícola, dela poderia ser aproveitado tudo. Como bem para saúde, é fundamental os seus benefícios quando praticada de forma moderada em curtas e longas distâncias, para iniciantes e veteranos. Poucos duvidam que a corrida – seja nas ruas, esteiras das academias ou residências –, eleve a capacidade cardíaca e respiratória, além de fortalecer músculos e ossos se praticada em uma média de 150 minutos semanais. Mas se correr é um ato fisiologicamente positivo e socialmente aceito, dela, do ponto de vista econômico, ainda se sabe muito pouco no Brasil. E é difícil valorizar o que pouco se conhece.

Pesquisa publicada pelo site runrepeat.com na semana da Maratona do Rio 2019 – um festival de corridas que incluem diversas distâncias e contaram com mais de 40.000 inscritos neste ano –, demonstrou que a corrida vem ganhando cada vez mais novos adeptos no País, sobretudo com uma maior presença feminina nesta prática esportiva, além da presença de uma faixa etária mais velha, ali entre os 40 a 50 anos de idade. Faixa etária esta que costuma estar identificada com o amadurecimento profissional e pessoal, e onde normalmente a corrida ganha outros sentidos, tais como autorrealização, superação e organização mental.

Mas um dado da pesquisa que chama atenção e pode passar desapercebido é que há também cada vez mais gente correndo em provas de corridas de rua fora de seus países de origem. Ou seja, o ato de viajar para correr está cada vez mais popular, tanto em longas distâncias como as da maratona e meia-maratona quanto em corridas mais curtas como as de 10km e 5km. Claro que há impactos econômicos que precisam ser levados em conta. Tente visitar Nova York por exemplo na primeira semana de novembro, e você sentirá o peso no bolso o aumento do preço dos quartos dos hotéis, sobretudo daqueles localizados nas áreas por onde a Maratona da cidade acontece. O

turismo é uma solução econômica, e em cidades como o Rio de Janeiro ele é uma realidade – mesmo que, claro, exista muito a fazer. A experiência que a cidade ganhou com a passagem dos dois maiores eventos esportivos do planeta nesta década ainda não foi totalmente compreendida e estudada, mas há equipamentos públicos e mão de obra qualificada na cidade capaz de ajudar na recuperação econômica, inclusive a partir de eventos esportivos de média e pequena dimensão. Para encerrar, a cidade do Rio de Janeiro chancelou entre os anos de 2013 a 2016, 291 corridas de rua, com uma média de pelo menos 1 corrida por final de semana.

E há todo um mercado a eles associado, tais como o das assessorias esportivas espalhadas pelas áreas públicas da cidade, que incentivam diariamente seus alunos a correrem e criarem metas pessoais para continuarem a se exercitar, sem contar com necessária compra de materiais esportivos para essa prática. A corrida de rua pode ajudar o Rio de Janeiro a voltar a crescer na área do desenvolvimento econômico, com reflexos na saúde coletiva e no bem estar social.

 

*Professor e Doutor, coordenador do Núcleo de Extensão Universidade Santa Úrsula