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O valor do Presépio

Jornal do Brasil PADRE OMAR, redacao@jb.com.br

Está chegando o Natal, um tempo importante, que transborda amor e união. Começamos a preparar o nosso coração e a nossa casa. São tantos compromissos, reencontros e tarefas, mas não podemos nos esquecer do essencial. Por isso, se faz importante manter a tradição de montar o presépio, ele vai nos recordar o verdadeiro sentido do Natal.

O presépio é tão importante que o Papa Francisco escreveu este ano uma Carta Apostólica Admirabile signum sobre o significado e o valor do presépio no Natal, uma tradição com cerca de oito séculos que ajuda a transmitir a fé dos pais para os filhos.

É uma prática antiga, que devemos sempre renovar com criatividade: são muitas formas, modelos e materiais diferenciados que podemos montar o presépio. Representar o acontecimento do nascimento de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus.

Montar o presépio em nossas casas nos ajuda a reviver a história sucedida em Belém. Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte, que nos permite conhecer e meditar aquele acontecimento; mas, a sua representação no presépio nos ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos, nos convida a sentirmos envolvidos na história da salvação nos mais variados contextos históricos e culturais.

A origem do presépio vem de São Francisco de Assis, que queria contemplar a fragilidade do Menino Jesus. Então, quinze dias antes do Natal de 1223, o santo expressou a um homem chamado João que queria representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos os incômodos que Ele passou pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido. O homem cumpriu o desejo do santo e, em 25 de dezembro, junto com frades e pessoas de diferentes lugares, São Francisco encontrou o presépio com a palha, o boi e o burro.

Desde a sua origem franciscana, o presépio é um convite a sentir a pobreza que Deus escolheu na sua encarnação, se tornando assim, implicitamente, um apelo para o seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento.

Maria e José são figuras fundamentais do presépio. Ela é a mãe que contempla o seu filho na manjedoura. Vemos a Mãe de Deus que não guarda o seu Filho só para si, mas pede a todos que obedeçam à palavra dele e a ponham em prática. Também vemos José como guardião da família, sempre ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe.

Os Reis Magos nos lembram da nossa missão evangelizadora. E as outras figuras do presépio pretendem expressar que, neste mundo novo inaugurado por Jesus, há espaço para tudo o que é humano e para toda a criatura.

O presépio fica completo quando no Natal colocamos a figura do Menino Jesus. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta no sorriso e nas suas mãos estendidas para todos.