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Para uma autêntica comunicação em família

Jornal do Brasil PADRE OMAR, redacao@jb.com.br

Hoje, cada vez mais as pessoas estão fechadas em si. Famílias que pouco conversam, que aceitam a correria do dia-a-dia e não veem o tempo passar. O diálogo é uma modalidade privilegiada e indispensável para viver e exprimir o amor na vida familiar. Mas requer uma longa e diligente aprendizagem. Homens e mulheres, adultos e crianças tem maneiras diferentes de se comunicar. O modo de perguntar, a forma de responder, o tom usado, o momento escolhido e muitos outros fatores podem condicionar para uma autêntica comunicação.

Por isso, é necessário cultivar algumas atitudes de amor que tornam possíveis o diálogo. Reservar tempo, tempo de qualidade, que permita escutar, com paciência e atenção, até que o outro tenha manifestado tudo o que precisava falar. Isto requer a sabedoria de não começar a falar antes do momento apropriado. Em vez de começar a dar opiniões ou conselhos, é preciso ter certeza que escutou tudo o que o outro tem necessidade de dizer. Muitas vezes no casamento, um dos cônjuges não precisa de uma solução para os seus problemas, mas precisa apenas ser ouvido.

O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. É importante que o tempo de diálogo dentro de casa seja sem dispositivos, e esse hábito deve começar a partir da atitude e exemplo dos pais.

Também é necessário desenvolver o hábito de dar real importância ao outro. Como é bonito ver relações honestas entre pais e filhos. Pais que escutam com atenção seus filhos e valorizam seus pensamentos, reconhecem que eles têm o direito de pensar de maneira autônoma e serem felizes. É preciso nunca subestimar aquilo que o outro diz ou reivindica, ainda que seja necessário exprimir o seu ponto de vista.

É preciso ter amplitude mental, para não ficar fechado nas próprias opiniões. É possível que, do meu pensamento e do pensamento do outro, possa surgir uma nova síntese que nos enriqueça a ambos. Temos que nos libertar da obrigação de sermos iguais. Só com o verdadeiro diálogo os casais chegarão ao ponto comum e respeitarão seus filhos.

Também é necessário estar atento a eventuais interferências para não destruírem o processo de diálogo. Por exemplo, reconhecer os maus sentimentos que poderiam surgir e relativizá-los, para não prejudicarem a comunicação. É importante a capacidade de expressar aquilo que se sente, sem ferir. Escolher as palavras certas, evitando uma linguagem moralizante.

E como é importante cultivar palavras e gestos de solicitude pelo outro e demonstrações de carinho. O amor supera todas as barreiras. Quando se pode amar alguém ou quando nos sentimos amados por essa pessoa, conseguimos entender melhor o que ela quer dizer.

Vamos falar o que é bom, elogiar bons costumes, valorizar as atitudes do bem. Na verdade, quem comunica se faz próximo. Vamos pedir a Deus o dom da comunicação, a abertura ao diálogo, para melhor cultivar as nossas relações.



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