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Para um verdadeiro convívio

Jornal do Brasil PADRE OMAR

Hoje quero refletir sobre uma característica da vida familiar que se aprende desde os primeiros anos de vida: o convívio. Isto é, a atitude de partilhar os bens da vida e se sentir feliz por isso. Saber partilhar é uma virtude preciosa, mas que infelizmente está se perdendo na correria do dia-a-dia.

O símbolo maior desse convívio fraterno é a família reunida ao redor da mesa. A partilha da refeição — e, portanto, além do alimento, também dos afetos, dos acontecimentos, dos sentimentos — é uma experiência fundamental.

O convívio é um termômetro garantido para medir a saúde das relações: se em família existe algum problema, ou uma ferida escondida, à mesa percebemos imediatamente. Uma família que raramente faz as refeições unida, ou quando à mesa não se fala, mas se olha para o smartphone, é uma família doente. Quando os filhos à mesa continuam ligados ao computador, ao celular, e não se ouvem entre si, podemos dizer que isto não é família, mas sim uma pensão.

Nos dias atuais, mais do que nunca, se faz necessário aos pais promoverem momentos autênticos de encontro com os seus filhos, sem a interferência de dispositivos eletrônicos. O convívio cotidiano é imprescindível para o bom desempenho das relações.

Todos sabem que o cristianismo tem uma especial vocação para o convívio. O Senhor Jesus ensinava de bom grado à mesa, e às vezes representava o reino de Deus como um banquete festivo. Jesus escolheu a mesa também para confiar aos discípulos o seu testamento espiritual — fez durante uma ceia — com o gesto memorial do seu sacrifício: o seu Corpo e o seu Sangue como Alimento e Bebida de salvação, que nutrem o amor verdadeiro e duradouro.

Nesta perspectiva, podemos dizer que a família “está em casa” na Missa, precisamente porque leva à Eucaristia a própria experiência de convívio e a abre à graça de uma convivência universal, do amor de Deus pelo mundo. Participando da Eucaristia, a família é purificada da tentação de se fechar em si, fortalecida no amor e na fidelidade.

Mas como é difícil reunir a família para participar da Santa Missa, certo? Porém, não podemos nunca desistir. Neste nosso tempo, marcado por tantos fechamentos e muros, a convivência, gerada pela família e dilatada pela Eucaristia, se torna uma oportunidade crucial. A Eucaristia e as famílias nutridas por ela podem vencer o isolamento e construir pontes de acolhimento e de escuta.

Hoje muitos contextos sociais põem obstáculos ao convívio familiar, mas devemos encontrar o modo de o recuperar. À mesa se fala e se ouve. Nada de silêncio, aquele silêncio do egoísmo, onde cada um está sozinho, ou com a televisão ou com o computador.

É preciso recuperar o convívio familiar adaptando-o aos novos tempos. Não podemos proibir a imersão dos filhos no ambiente virtual, mas devemos ensina-los a valorizar o presencial. E mostrar que existe o momento certo para tudo. Rezemos para que o convívio familiar possa cada vez mais crescer e amadurecer. Amém!

 



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