Jornal do Brasil

País - Artigo

"Um povo, outros povos"

Jornal do Brasil RAQUEL STIVELMAN

Não existem povos totalmente bons ou totalmente ruins. Como ocorre com os seres humanos, nós somos bons e ruins, dependendo das circunstâncias.
Ao povo judeu atribuem-se inúmeras qualidades e defeitos, como costuma ocorrer com os demais povos. Vale enfatizar, contudo, que os aspectos positivos do povo judeu são muito destacados, tendo em vista a sua necessidade constante de garantir o seu “status quo” adquirido e desenvolver qualidades tais que lhe permitam se locomover rapidamente em busca de outro logradouro seguro, quando forem expulsos de onde estiverem.
O ser humano é um produto muito direto das circunstâncias em que está inserido, isto é, nas quais está envolvido.
Através dos tempos, o povo judeu tem aperfeiçoado cada vez mais apuradamente estas suas capacidades de rapidez e de inteligência. Todos aqueles que se destacam provocam a inveja, o ciúme daqueles que também gostariam de possuir estas habilidades. Muitos deles pensam o seguinte: “Por que eles são assim quando eu também posso ser igual a eles ou até melhor do que eles?”. Mas para que isto possa acontecer, é preciso, é imprescindível que aquele presunçoso ou presunçosa sumam, desapareçam para que o terreno esteja vazio e só assim eu possa mostrar do que sou capaz. Que boa oportunidade de fazê-lo(la) desaparecer, culpando-o(a) de tudo aquilo de ruim que esteja acontecendo na face da Terra. Que excelente bode expiatório!
É óbvio que também existem outras razões variáveis, pessoais até, para incrementar esta rejeição, esta ojeriza face aos judeus. Daí o termo hoje conhecidíssimo do antissemitismo, cujo sentido precípuo é o antagonismo, a rejeição a tudo que possa rescender a judaísmo.
Infelizmente, o sentimento negativo do ódio, da vontade de provocar o desaparecimento do povo judeu está bem enraizado e sedimentado no coração de muitos não judeus.
É triste, é lamentável, é vergonhoso que tal sentimento tão nefasto e peçonhento habite o coração e a mente de tanta gente.
E o que mais ressalta, é que, apesar e a despeito de tudo, de tantos êxitos e sucessos em fazer este povo judeu desaparecer, cá estamos nós imbatíveis, perenes, imorredouros, eternos. Nós estamos aqui! Am Israel Chai! Israel vive!!!
Quantos impérios alcançaram ascensões absolutas e lentamente sofreram o declínio. Quantos e quantos países vivenciaram esta subida e o consequente desaparecimento através dos tempos. O povo judeu, apesar e a despeito de tantas tentativas muito bem sucedidas de eliminá-los da face da Terra, sobreviveu, cá está, aí, não morreu! Eu sei que eu pareço um tanto presunçosa ao me proclamar judia com tanto orgulho e me referir com tanto entusiasmo a esta verdade histórica. Eu peço desculpas por este arroubo, mas não consigo controlar este meu sentimento de orgulho, de aplauso, de satisfação de pertencer ao povo judeu. Este sentimento não faz sombra ao meu orgulho imenso por ser brasileira e amar esta terra adorável, que é muito amada e cujos valores, artistas, tesouros literários, músicas, sejam objetos do meu amor infinito.
Este orgulho em ser judia também não implica em não reconhecer que o povo judeu tem inúmeros aspectos negativos de personalidade e como tem!
Uma parte deles é constituído, por exemplo, pela presença do egoísmo, do autocentrismo e às vezes, de cometer injustiças. Enfim, neste povo ou com quaisquer outros povos ocorre haver qualidades e defeitos.
A mim, o que mais importo é ser uma pessoa do bem, tentando compreender a razão de ser dos erros alheios, esperando que os nossos erros também sejam por eles compreendidos.
A revista MORASHA, de junho deste ano sob o número 104, publica a seguinte declaração do escritor americano Mark Twain: “Os egípcios, os babilônios, os persas surgiram e desapareceram como um sonho e morreram; os gregos e os romanos os seguiram e fizeram grande estardalhaço e também desapareceram; outros povos surgiram e ergueram suas tochas no alto das nações por algum tempo, mas eles se extinguiram e eles agora permanecem no crepúsculo ou desapareceram.
Os judeus testemunharam e os venceram. Estão hoje onde sempre estiveram sem sinais de decadência, sem as doenças do tempo, sem enfraquecerem seus membros, sem diminuírem suas energias, sem escurecer sua mente aberta e viva.
Todo o resto é mortal, exceto os judeus.
Todas as outras forças se extinguem, mas eles permanecem.
Qual o segredo de sua imortalidade?”.


* Mestre em Educação pela UFRJ